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FALANDO DE FESTAS JUNINAS

  Prefácio atualizado em 26/06/2012: São João Batista foi precursor de Cristo e profeta que atuou na passagem entre o antigo e o Novo Testamento. Ele anunciou o Messias e o identificou em Jesus de Nazaré. Foi ele quem batizou o Autor do batismo (Cristo), e testemunhou a revelação trinitária de que Jesus é o Filho de Deus.
Curioso é saber que ao tempo em que Jesus nasceu, o Rei Herodes decretou o sacrifício de todas as crianças com menos de quatro anos de idade. À época, Jesus foi levado por seus pais (Maria e José) ao Egito; fugindo da perseguição de Herodes. Já seu primo João Batista não teve tempo nem disponibilidade para isso. Ele foi ocultado dos soldados de Herodes por sua mãe Isabel e seu pai Zacarias, numa gruta de pedra, longe dos olhares dos soldados de Herodes. Assim ele foi preservado. Já adulto e demasiadamente conhecido, João pregava no deserto e fazia a conversão de pessoas do povo, através do batismo. Herodes temia a João Batista, que o denunciava e à sua vida luxuriosa (concubinato) e etc. Herodes convenceu sua filha Salomé a pedir a cabeça de joão Batista na bandeja; e assim foi feito. Lembramos ainda que Cristo não precisava ser batisado por João, pois ele próprio era o Autor do batismo; porém Jesus assim o fez, para servir de exemplo e mostrar que João Batista, dentre todos os filhos nascidos de ventre de mulher, foi o personagem mais importante da história bíblica, dentre todos os outros e daquela época até os tempos atuais.
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Historiadores consideram que as festas juninas têm origens pagãs. Conforme Gilberto Freire, “existem sinais de elementos orgiásticos africanos nessas festas que teria mesmo sido trazido pelos portugueses, com seus cristianismo lírico e um catolicismo ascético e ortodoxo, donde surgem festas dos estilos grego e romano”. Freire ainda relata em livro publicado em 1995, “que a escassez de portugueses na Colônia sublimou o valor do casamento, o quê tornou populares os santos padroeiros do amor, da fertilidade e das uniões, para que resultasse no aumento imediato da população do Brasil”. Como se denota, todos eles elementos gregos e romanos. Estes interesses abafaram não apenas os preconceitos morais como os escrúpulos católicos ortodoxos dos portugueses.

Acredita-se que as festas dos santos Antônio, João e Pedro têm origens no século XII, na região da França. O solstício de verão, (dia mais longo do ano), era celebrado no dia 23 de junho; que coincidia com o início das colheitas. No hemisfério sul, onde se encontra o Brasil, acontece no mesmo dia o “solstício de inverno”( noite mais longa do ano). Assim como aconteceu com outras festas pagãs, estas também foram adquirindo um sentido religioso; sentido este acompanhado e incentivado bem de perto pela Igreja Católica nos países latinos da Europa e principalmente no “Novo Mundo”(América).

Viva Santo Antônio

O culto de Santo Antônio (nascido Fernando), assim como o de São João, da maneira que é festejada no Brasil, é herança portuguesa. Santo Antônio nasceu em Lisboa; originalmente ele nada tinha a ver com namorados e casamentos. Na verdade ele era invocado e utilizado seu nome como arma contra perigos iminentes na guerra. Mesmo no Brasil, Santo Antônio era invocado pelos soldados do Império e da República; sendo que em muitos quartéis tratavam-no de “tenente”, “capitão” ou “sargento”. Têm-se notícias de que em algumas companhias do exército brasileiro, o “tenente Santo Antônio” chegou a ter soldo e um ordenança a seu serviço. Atualmente Santo Antônio já não é mais cultuado como militar, mas sim como casamenteiro e “deparador” de coisas perdidas; sendo que nessa esta última “graça”, ele a divide com São Pedro. Os “bacamarteiros” de Caruaru são ainda hoje a prova viva do Santo Antônio militar, embora eles se apresentem nas festas de São João. Com os seus poderosos bacamartes (copiados de modelos de “granadeiras” usadas pelas tropas da Tríplice Aliança na Guerra do Paraguai), eles atiram para o chão e para o alto, com cartuchos de pólvora seca. O fito é de festejar Santo Antônio, militar e casamenteiro, o nascimento de São João Batista e, obviamente, São Pedro.

O Padre Antônio Vieira, à época que vivia no Maranhão, (1656), conforme o historiador Câmara Cascudo), escreveu : ...”Se vos adoece um filho, Santo Antônio; se vos foge o escravo, Santo Antônio; se mandais uma encomenda, Santo Antônio; se esperais o retorno, Santo Antônio; se requereis o despacho, Santo Antônio; se aguardais a sentença, Santo Antônio; se perdeis a menor miudeza da vossa casa, Santo Antônio; e, talvez se quereis os bens alheios, Santo Antônio”. Portanto, como se denota, Santo Antônio é um santo para todas as horas e para todos os assuntos; não é à toa que me chamo Antônio: meus pais tinham bom gosto!

Viva São João Batista

Falemos agora de São João: desde o Brasil colonial já se festejava São João. Em alguns lugares dos sertões do Brasil, costuma-se chamar São João por “São João do Carneirinho”. E desde o início da colonização brasileira, festeja-se São João com danças e fogueiras. Lembro aos leitores do “Recanto das Letras” que, em 22 de junho de1993, houve um tumulto no Congresso, em Brasília: o governo queria que os deputados votassem a aprovação do IPMF. Quase todos os deputados nordestinos estavam ansiosos para irem para suas cidades - não haveria “quórum” para votação; o governo prometeu garantias de passagens de avião na véspera do São João e assim a IPMF foi aprovada como queria o governo ( e para nosso azar), nesse dia 22 de junho de 1993. E as fogueiras de São João; quem sabe as origens?

Viva São Pedro

De todos os santos festejados em junho, São Pedro tem a festa mais monótona. No entanto, ele é especialista em arrumar casamento para mulheres velhas, para moças encalhadas e para viúvas; nisso ele compete com São Gonçalo do Amarante, cujas qualidades aqui não cabe contar. São Pedro era o mais velho de todos os doze apóstolos de Cristo, por isso é feita a menção das mulheres velhas encalhadas e viúvas. Mas, São Pedro era também a pessoa mais rude dentre todos os apóstolos, mesmo assim Cristo confiou-lhe a condução da Igreja, sendo ele considerado o primeiro papa da Igreja Católica. A figura de São Pedro erguida nos mastros das festas juninas, mostram-no portando uma chave numa das mãos, cujo significado mais simplista é a que “Ele lhe confiou a chave que abre quaisquer portas”. O povo humilde dos interiores do Brasil o chamam de “Porteiro do Céu”; por causa da tal chave. Muita gente quando perde algo invoca a “sogra de São Pedro”, que, acredita-se, foi mulher virtuosa que não aceitava esmolas. Desse modo tão logo invocada, a sogra de São Pedro faz aparecer o objeto perdido.

A origem das fogueiras de São João

A história de São João, da maneira a qual é contada oralmente no interior do Brasil, é algo distinta daquela com que é conhecida nas cidades.

Muita gente crê que a fogueira e os fogos de São João deve-se ‘a uma promessa feita pela prima de Maria, Isabel, que mesmo depois dos sessenta anos de idade ficou grávida de um filho, que viria a se r João Batista. As duas primas moravam distantes, porém Isabel morava no alto de um espigão. Isabel prometeu ‘a Maria que, tão logo desse a luz, acenderia uma grande fogueira e soltaria fogos de artifício; dessa maneira, Maria ficaria sabendo da boa nova. Maria não podia ir visitar a prima por ela também estar grávida e a caminhada era bastante dura.

A outra lenda sobre João Batista dizia que João, ainda menino, era um santo muito folgazão, daqueles que exalam alegria todo o tempo. E a coisa que ele mais gostava eram as festas.

No céu, conta-se, que todos os santos comemoravam seus aniversários com festas. Havia uma festa para cada um deles.E foi então João reclamar a com Deus. Se todos os outros santos tinham suas festas, ele também queria uma para si. E Deus, na sua infinita bondade, prometeu-lhe uma. E disse-lhe Deus que sua festa seria a mais bonita. João ficou muito feliz com a nova, que saiu correndo pelo céu, fazendo algazarras, contente da vida, chamando a atenção de todos os outros santos para si.

Ele, na sua euforia, espalhou para todos que pudessem ouvir que , finalmente teria sua festa, e que ela seria a mais bonita de todos os santos. João dizia a todo mundo que na sua festa faria uma fogueira muito grande, fogueira esta que seria vista pelo mundo todo, que ela seria tão grande que quase poria fogo no mundo. Na sua festa, dizia João, ele soltaria rojão, fogos de estrelinhas e teria além de rezas, muita bebida. A vontade de João era tanta que parecia embebedar-se de tanta felicidade. Ele afirmava que, de todos os santos, sua festa seria a mais bonita.

Desde então, todos os santos, com medo de que João ponha fogo no mundo e comporte-se mal, o fazem dormir na véspera de seu aniversário, anos após ano; séculos após séculos. Assim, até hoje, as pessoas comemoram o dia de São João de maneira segura. Em alguns cantos do mundo há o costume das pessoas baterem nas casas, perguntando: -"São João passou por aqui?" E a resposta é sempre: "ainda não"!

No céu, quando João acorda, sempre pergunta:
- "Hoje é o dia da minha festa?"

Então, os outros santos respondem que não, ou que seu aniversário já passou; que ele dormiu e que a perdeu. Então, João começa novamente a fazer planos para sua próxima festa, garantindo que não a irá perdê-la, de modo algum. Mas, sempre, com medo do fogo, os outros santos farão com que João durma, fazendo-o perder sua festa mais uma vez, e assim continua, pela eternidade afora.

Desejo que todos continuem a festejar São João de modo seguro, com fogueira pequena, para não pôr fogo no mundo e que bebam só um pouquinho para se aquecerem do frio do inverno. Desse modo continuamos a festejá-lo em paz, com a graça de Deus.

E se alguém, mesmo em sonho, te perguntar se São João passou por aqui, diga-lhe que ele está dormindo! Não seremos nós os culpados desse João pôr fogo no mundo, não é verdade?

Escrevi este texto baseado em informações trocadas com a Tita (78), a Dadá(72), da Luciene Lima, crítica literária;  e em menções dispersas trocadas nos sites que esporadicamente visito.Acredito que a humanidade está dormindo para as coisas simples. Uma metáfora pode fazê-los acordar. Há Joões aos montes nas ruas, passando frio em noites de inverno, sem comida, sem horizontes, perdidos. Espero que a humanidade possa ajudá-los antes que façam uma fogueira tão grande, que possa por em risco o mundo. Se ainda houver tempo, é claro
ACAS
Enviado por ACAS em 12/05/2006
Reeditado em 26/06/2012
Código do texto: T154782
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Sobre o autor
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