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O TIME DA PRACINHA

- crônica sobre os amigos e nosso time de futebol de salão e de campo dos tempos de guri em Sant'Ana do Livramento-RS

O TIME DA PRACINHA ou do Seu CHICO, ou então a trajetória da Pracinha ao Juventude
FLAVIO MPINTO

Nos idos de 63/64, aproximadamente até 68, jogávamos na Pracinha dos Esportes situada defronte á Santa Casa.
Era um local aprazível e arborizado com 03(três) quadras de futebol de salão- uma na Sede da AABB, defronte ao Posto de Saúde, outra bem no meio da Praça mais para o lado da Manduca e da Santa Casa e outra na ponta, na esquina próxima da SAMDU, que era utilizada pelo EC Guanabara, time de basquete. Existia ainda, defronte a igreja do Colégio das Freiras, um campo de futebol para não sei quantos jogadores. Ia de 7 a 11, dependia da vontade da gurizada. Defronte ao GE General Neto ainda existe  uma área com brinquedos e, bem no centro da praça, uma estação retransmissora da Rádio Cultura, que era de responsabilidade do  Julião. Local com banheiros e chuveiros. Rolava, no folclore da gurizada, que alguns malandros costumavam colocar giletes nos escorregadores, o que nunca se confirmou.
As quadras eram revestidas de balastro e a cada tombo perdia-se um pedaço de pele. A do Guanabara posteriormente foi coberta com asfalto e ficou bem melhor.

Na quadra da AABB, integrávamos o time do Seu Chico( Chico Guimarães), na época presidente da AABB, figura de destaque e de muita desenvoltura no meio desportivo municipal, além de dirigente do EC 14 de Julho. Era ele o dono do apito em todos os jogos. Não preciso dizer que não perdíamos jogo nenhum.
Representávamos a AABB e o time usava camisetas com listras verticais azuis e brancas, calções e meias  brancas. A bola não era propriamente de futebol de salão e sim uma nº 3 e picava muito. Além de jogarmos, ouvíamos com muito gosto as estórias de campanha cheias de fantasmas contadas pelo Seu Osvaldo, caseiro da sede da AABB.  A equipe era integrada pelo Tita, o Jorge Newton , Renato Lampert, Cartana e eu....Só sei que nos domingos pela manhã recebíamos os fregueses na Pracinha.
Um jogo marcante foi o da inauguração da quadra dos Bombeiros, inovando com quadra cimento, que nos abriu o mercado futebolístico na zona do Passinho e dos Trilhos. Lá teve outro embate marcante contra o time de futebol de sete da Casa Verde em 66 ou 67. Prá variar, ganhamos 3 a 1 e foi uma choradeira muito grande por parte da torcida deles. Marcamos outro jogo e perdemos por 1 a zero, se não me engano. O Tadeu Xavier lembra muito bem desse jogo até hoje e não me deixa mentir. Bom...
O caso é que raramente perdíamos, aliás, não me lembro de haver perdido a não ser o jogo citado acima. O time jogava seguidamente e éramos amigos nas horas vagas. A integração era muito boa e saudável. O cinema á noite ou a ida ao Sabó , lá na Sarandi quase em frente aos Club de los Empleados, acompanhado de um suco de laranja com sanduíche quente( misto quente) ou uma boa pizza, que fazíamos questão que o garçom castelhano pedisse alto e em bom som....Oh, gurizada medonha. E ainda os bailes na Brigada e no Cruzeiro.

 Um dos pontos de encontro era na esquina da 24 de Maio com Uruguai, onde jogávamos no meio da rua ou no campo da casa do Candinho, e até no campinho da fábrica de fumo na Uruguai com 13 de maio. Era sempre a mesma turma  presente também nos constantes torneios de botão (futebol de mesa). Enfim, a união era através da bola de couro ou de botão. Quem não se lembra?
Lá pelos anos de 66, a coisa começou a crescer: a fama do time foi longe, no entanto o da AABB terminou em virtude da transferência do Seu Chico para Porto Alegre. Então fundamos o Santos( Tita, Renato Lampert , João Carvoeiro, Luis Alberto/Jóia e , eu) com a turma da 24 de Maio. Claro que continuamos a passear nos domingos pela manhã e receber os fregueses. Foi um dos primeiros times de guris a utilizar uma bola de futebol de salão legítima mesmo. Compramos na Courolândia e a marca era GURIA. Muito boa para chutar , não picava como a nº 3, e era macia, mas firme. Enfim, o Santos chegava a um patamar técnico inigualável nos embates.
 O olho dos boleiros agigantou-se sobre a gurizada da Pracinha e fomos para Os Piratas, time que tinha sede na Tiradentes com Daltro Filho e treinado pelo famoso Goiaba, figura folclórica da nossa zona. A bola da gurizada continuou em alta e começamos a ser   treinados pelo Elétrico no juvenil do GE Brasil, que também era da nossa zona e um dos times destaque do futebol de salão santanense juntamente com Irajá e Juventude. Os Piratas eram um apêndice do GE Brasil. Neste ínterim, ganhamos o reforço do Alvinho, goleiro  e do Airton “ Tatu” Guedes da Silveira, integrante da turma da “24” e um dos melhores atacantes na nossa geração. Participamos de torneios no sábado á noite no ginásio do Irajá.
Mas não preciso dizer que também jogávamos futebol de campo juntando num time os integrantes dos times fregueses da Pracinha. O entrosamento continuou , claro, nos conhecíamos como amigos e inimigos, e dávamos verdadeiros shows de bola nos sábados á tarde no campo do 14 de Julho. Dali saíram inúmeros integrantes de times de Livramento, como Carlos, Tadeu, Osvaldo  e outros tantos.
Que turma fominha de bola !!. E era mesmo, tanto que nesse tempo também jogávamos no Campestre no time do Paulo Albornoz . Juntam-se ao grupo o Danilinho e o Guta. Mais os fregueses iam atrás para, honradamente, perder para aquela seleção, como diria o Danilinho.
O meu tio, Luis Carlos Martins, treinava o 14 na época e dava uma olhada na gurizada de vez em quando. Acabamos por assumir o juvenil do 14 e jogamos a preliminar de um jogo do time principal no João Martins. Se não me engano contra um time de Uruguaiana pela Chave Estadual da Fronteira. Foi contra aquele time da Casa Verde e o nosso problema foi a bola. Explico: estávamos acostumados a usar a nº 5  pois treinávamos com os aspirantes e profissionais do 14 e a turma do Passinho a nº 3. Até nos acostumarmos já perdíamos por 2 a 0. Mas empatamos, num memorável gol do Airton Guedes em tabelinha comigo desde o meio de campo. Entramos com bola e tudo.
Mas continuávamos a jogar futebol de salão no GE Brasil nos sábados á noite, e  com o Julião como técnico, o acréscimo de qualidade foi evidente.
Certo dia, em 68, fomos convidados a treinar com o Juventude, o melhor time da cidade e que se preparava para o Estadual. Era um coletivo na quadra da Pracinha usada pelo Guanabara e por nós depois de recapeada.
É óbvio que faturamos o Juventude com tudo que tínhamos direito. Foi 7 a 1 contra um verdadeiro esquadrão de adultos experientes que tinha nos seus quadros Perez, Tiquinho, Bahia, Raul, Sapo, Hitler, Ratinho, Odyr, Carmelo, Negrinho e outras reconhecidas feras do futebol de salão santanense. O Marimbondo , técnico e faz tudo no time, estava calado pela surpresa e o banho de bola que tomou o seu time. Marcaram outro embate com camiseta e juiz para semana seguinte e ganhamos de novo: 6 a 4 ou 5, não lembro bem. O caso é que fomos quase todos para Juventude: chegávamos a um time de ponta com uma estrutura profissional. Só o Airton foi para o lado inimigo, o Irajá.
No Juventude o esquema era bem diferente: haviam treinos técnicos e físicos depois das 21 horas pois todos trabalhavam e até banhos no Registro. No inverno era terrível. Tínhamos também sessões de massagens para deixar novo em folha o corpo cansado depois de treinamentos na quadra da Pracinha Getúlio Vargas. O convívio com a nata do futebol de salão da cidade era excelente , com seriedade e com muita Norteña.
O nosso destino foi uma espécie de time B do Ju e formávamos com o Floro, Edson” Vaca”, Renato Lampert e Balila. O Odyr  e o Ratinho também faziam parte do grupo e ás vezes integrávamos o banco no principal como no Estadual. A nossa estréia foi na inauguração da quadra dos Mórmons á noite contra o nosso ex-time o GE Brasil e ganhamos..

O  JIP/68 , o time do Estadual, os patinhos do Prof Carlos e a briga com Santanense e a outra memorável briga Irajá /Juventude na decisão do citadino ficam para outra oportunidade.

Porto Alegre,RS, maio de 2006
FLAVIO MPINTO
Enviado por FLAVIO MPINTO em 12/05/2006
Código do texto: T154830

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Sobre o autor
FLAVIO MPINTO
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 65 anos
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