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O Amor e a Paixão – e Vice-Versa

        Sou Romântico. Pode parecer algo simples de se dizer, mas para um homem como eu, assumir isso não é nada fácil. Pode soar antiquado, incompatível com os tempos modernos, ou até ingênuo de minha parte, mas não me importo e enfatizo: sou Romântico. Acredito no amor. Mas não é disso que vou falar. Vou falar de algo mais espontâneo, mais latente, mais efervescente, e por que não, mais perigoso e doloroso: a paixão.
        Lembro-me, inclusive dos detalhes, de minhas paixões adolescentes. Na minha rua, era apaixonado por uma menina linda, cabelos lisos, rosto perfeito e um belo sorriso. É claro, eu era amigo do irmão dela. Acho que foi a minha primeira paixão, mas eu era muito jovem, sem malícia. Acho até que queria apenas andar de mãos dadas com ela. No máximo um selinho.
        Na escola, recordo-me de “Andréa” (trocarei o nome de todas, pois se elas lerem ficarei muito envergonhado, mesmo porque muitas delas já se casaram, etc). Foi a primeira vez que me senti sexualmente atraído por uma garota. Ela não era nenhuma unanimidade entre os outros garotos da sala. Sabe, adolescente sempre tem essa de dar nota às garotas, eleger as melhores da sala, etc. Andréa não tinha nada de especial; pelo menos para eles. Ela até usava óculos!!! Mas ela me atraía demais. Principalmente por seus seios que estavam acabando de se formar, o leve balancear quando ela caminhava me hipnotizava. Eu a achava atraente até com o uniforme escolar cinza chamuscado.
        Mais tarde, surgiu outra: Helen. Pequena, com uma silhueta perfeita, seios que caberiam perfeitamente na palma de minha mão, bumbum durinho rebitado combinado com um quadril levemente largo, cintura fina. E o mais especial: doida de tudo.
        Depois Vanessa. Essa eu me apaixonei pelo seu beijo. Foi tão bom, que eu nem havia reparado em seu corpo estonteante, o que algum tempo depois pude reparar. E como reparei. Mas continuei apaixonado mesmo por seu beijo. Acho que até hoje!!!
        Quando me apaixonei por esta última, tinha 18 anos. Hoje tenho 24. É claro que resumi muito que aconteceu entre eu e as garotas citadas. Muitas delas eu até encontrei mais tarde, mas não senti a mesma coisa (e acho que nem elas). Com algumas delas, sequer tive coragem de contar que estava apaixonado, talvez meu maior erro. E é claro, tive muitas mulheres desde então. Mas de lá para cá, poucas vezes o meu coração entrou em erupção. Poucas vezes senti aquele turbilhão de emoções que exalam por todo o corpo, dos calcanhares à nuca. Não estou falando de sexo, pois isso, hoje em dia, não é difícil. Estou falando de paixão, arrebatadora, irracional, de tantos outros adjetivos, mas principalmente, deliciosa.
        Num instante nos faz rir, milésimos de segundo depois, nos faz chorar. Num momento nos faz beijar, no outro temos vontade até de matar. O céu e inferno num piscar de olhos. Mais do que tudo isso, nos faz sentir vivos. Nos faz perceber que nosso sangue transcorre nossas veias. Que nosso coração é mais forte que uma bomba-atômica, por suportar tantos altos e baixos, tantas dores e alívios, tanta aflição e satisfação.
        Talvez eu tenha desaprendido a amar. Talvez eu tenha sofrido tanto, que não permito mais que meu coração baixe sua ponte levadiça para o amor. Talvez o amor seja apenas mais uma estória de ficção científica, como OVNIS ou batalhas estelares. Talvez o amor sirva apenas para que romances sejam vendidos. A verdade eu não sei. Mas também acho que ninguém sabe, com exatidão o que isso significa. Eu mesmo me confundi todo. Comecei com amor, fui para a paixão, e aqui estou no amor novamente. Dizem que a paixão é passageira, e o Amor duradouro. Alguns dizem que um é fogo, o outro infinito. Outros dizem que são a mesma coisa.
        Dizem tantas coisas. Eu não sei o que é, e precisaria ser um arqueólogo para extrair de tantas palavras, a que mais se enquadraria. Pensando bem, nem assim. Acho que não há palavras que consiga. Eu apenas sei de uma coisa: Seja lá o que for Amor e/ou Paixão, eu acredito. E quero pra mim.

Ivan Sanches

ilsanches@gmail.com

http://blogdoescritoramador.blogspot.com/
Ivan Sanches
Enviado por Ivan Sanches em 13/05/2006
Reeditado em 11/09/2009
Código do texto: T155364

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Sobre o autor
Ivan Sanches
Santo André - São Paulo - Brasil, 34 anos
141 textos (12235 leituras)
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Ivan Sanches