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Drumondear

Em todo o mês de outubro, lembro Drumond de Andrade, tenho sempre um cartão ainda preparado para cumprimentá-lo pelo seu aniversário, mas o maior poeta dizem os espíritas está desencarnado, porém vivo em cada ser brasileiro.

Quem não conheceu, foi e é até hoje o maior poeta do Brasil, do século XX e a sua poesia mais conhecida  dizia "no meio do caminho tinha uma pedra e que tinha uma pedra bem no meio do caminho" mas para mim me marca é aquele texto chamado de "Cidadinha Qualquer", na qual ele escreveu "casa entre bananeiras /mulheres entre laranjeira/pomar amor cantar/um homem vai devagar/...Devagar as janelas se olham.Eta vida besta meu Deus" essa poesia, faz lembrar a composição musical de renato teixeira  e a música "tocando em frente" que diz "ando devagar/porque já tive pressa /e levo esse sorriso/porque já chorei demais/Hojew sinto mais forte e mais feliz quem sabe. . .,Cada um de nós compõe a sua história e cada ser em si/ carrega o dor de ser capaz/ de ser feliz.

Ambas obras artísticas revela a simplicidade caipira do povo brasileiro, aquela simplicidade de quem diz "o de fora, pra quem chega dizendo ó de casa" e o viandante chega senta e toma um caneco com café cuado, com bolinho de chuva e conforme a hora também fica pra pousar. Mas pensar Drumond é sim drumondear.

Lembro uma entrevista da revista pau brasil que arlos Drumond de Andrade dizia, isto pelo idos de 1985, na qual ele respondeu ao reporte que perguntou-o, pra que ele comparasse Fernando Pessoa estaria a altura de Luis Vaz de Camôes, mas ele respondeu "não passa pela minha cabeça medir, comparar Camôes a Pessoa. Nem o velho bruxo épico lírico nem Pessoa e seus heterônimos aceitariam tal coisa e como nenhum dos dois podem reagir a gente vai construindo fantasias críticas.

O reporte perguntou a Drumond, se ele gostava de poesia, mas  ele respondeu "gosto de gente, bicho, plantas, lugares chocolate, vinho, papos amenos, amizade, e amor e a poesia está contida nisto tudo.

Essa resposta de Drumond fez-me entender a poetisa Maria Conceição Pereira Martini que escreveu "fazer poesia é vestir a alma pelo avesso, por nú o coração. . .Todo poeta é um andarilho das nuvens.

Assim pude ter a certeza de que ser poeta é ser um entalhador da prosa, um arquiteto das palavras e poesia  é pra ser lida, não apenas silábicamente, mas visualmente, no concretismo, no neoconcretismo, no processo.

Sempre olhei e escrevi a poesia com o olhar da beleza e nisso a feminilidade, pra mim a poesia é mulher e é interessante que Augusto Bicalho faz poesia dedicado a Ariadne, Dante Alighieri escrevia para Beatriz, Rafael da Rocha Daud pergunta quem é Ana e ele proprio responde que é a mais bela das meninas do outro lado da rua.

Diante disto a uma expressão referencial conceituual, que o professor Dr. Antenor Antonio Gonçalves que também é um dos melhores poetas que conheço diz que "escrever é o momento de um ritual de guerra muda na chamada terra de ninguém" . E usando um termo de João Cabral de Mello Neto , talvez fazer poesia  "é salvar da morte os momentos germinados em seu tinteiro" ou seja é Drumondear.

Provavelmente este ano outubro vai chegar e eu estou prepararando um novo cartão pra Drumond, talvez esteja procurando um imail ou correio que atenda o céu as estrelas, ele deve estar lá.
Manoel Messias Pereira
Enviado por Manoel Messias Pereira em 15/05/2006
Código do texto: T156772
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Sobre o autor
Manoel Messias Pereira
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil, 61 anos
84 textos (7175 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 02:29)