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GAIOLA VAZIA.

Na parede externa de minha casa está pendurada uma gaiola vazia. A portinhola permanece aberta e posso vê-la daqui de minha cadeira enquanto escrevo. Na verdade à meses que ela permanece vazia. Está toda enfeitada com fitas coloridas e os arames estão cortados e virados para cima. Cortei-os para abrir novas entradas e saídas. Na verdade quando ela me foi trazida com a recomendação de que seria por poucos dias já portava as fitinhas, idéia de seu  verdadeiro dono, que assim como trouxe, prometendo vir busca-la  tão logo voltasse de uma viagem. Esqueci de dizer que dentro havia um passarinho. Um canário amarelo de penas arrepiadas que cantava lindamente. Prometi cuidar mas perdi o sono. No meio da primeira madrugada levantei para abrir a portinhola. A escolha seria dele. Olhou-me de lado com fazem os passarinhos e continuou no poleiro encolhido. Fui dormir mais leve.
Pela manhã  a gaiola estava vazia. Mesmo assim coloquei comida e água fresca como me fora recomendado. No meio do dia escuto o trinar do bichinho. Estava dentro da gaiola se refrescando com a água fresquinha. Assim nos dias que se seguiram eu servia sua refeição, ele aparecia durante o dia cantava para mim e ia embora. Às vezes  pousava na minha janela.
Certo dia trouxe companhia; uma fêmea muito da espevitada que logo no primeiro dia foi se adonando da gaiola. Refrescaram-se e foram embora. Voltaram muitos dias seguidos e eu com o compromisso de alimenta-los. Foi ai que cortei alguns arames para lhes dar mais espaço e liberdade. Quem sabe gostariam de trazer convidados? Sumiram novamente. Assim como o dono da gaiola, que voltou de viagem não tocou mais no assunto e eu naturalmente não fiz questão, eles também desapareceram. A semanas que troco a água e coloco ração e eles não aparecem. Substituí umas fitas que estavam desbotadas e fiz uma cobertura com papelão pois o sol anda quente, estes dias. Acho que não virão mais, assim é a vida...
 
Em tempo: Acabo de rever os meus amigos. Trouxeram uma novidade: um jovem canarinho amarelo talvez no seu primeiro vôo. Não foram até a gaiola, pousaram na minha janela, cantaram e piaram por alguns instantes, acho até que sorriram para mim. Logo foram embora, parece que para não mais voltar. Deixaram-me feliz, apesar deste aperto no peito.
Humberto Bley Menezes
Enviado por Humberto Bley Menezes em 16/05/2006
Reeditado em 17/05/2006
Código do texto: T157352
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Sobre o autor
Humberto Bley Menezes
Curitiba - Paraná - Brasil
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