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Um Ronaldinho em minha rua.

É um moleque da minha rua. É um diabo em forma de menino - um diabinho encarnado e sem rabo, diz a vizinha. Tem lá os seus sete pra oito anos. Peguei o neguinho no flagra, outro dia, desligando o medidor de energia da vizinha que o vê como o “coisa ruim”. Gritei com ele “deixa de ser safado Ronaldinho”. Eu não sabia o real nome dele, mas é a cara escarrada do Ronaldinho Gaúcho, quando menino, então saiu Ronaldinho mesmo . Ele tremeu na base. “Não corre não seu ladino, se não conto pra sua mãe. A verdade é que não tinha a mínima idéia de quem fosse a mãe daquela criatura, se é que tivesse mãe. Então ele parou e pude falar-lhe.“Rapazinho, porque você não brinca umas brincadeiras que não chateiem os outros? Jogar futebol por exemplo, você até parece com craque!”. Ele pareceu satisfeito com que eu lhe disse, ou talvez por não ter-lhe dado uns tabefes. Falou-me com jeitinho de criança que já jogava bola, mas a bola havia furado e só praticava na escola. Lembrei-me de que guardava uma bola que ganhara num sorteio de uma loja de calçados. Presenteei o “Ronaldinho” com aquela bola que nunca havia sido chutada, com a promessa de que se tornaria um menino melhor. “Sem essas brincadeiras de mal gosto”.

O “Ronaldinho” jogava muito dizia a Tânia, que descobri ser sua professora no primário. “Se conservar o talento poderá ser um craque do futebol”. Egoisticamente conjecturei que lá por 2014 ou 2018, estaria lá na copa do mundo, dando aquele “show de bola” pela seleção canarinho e diria nos microfones das redes de tevês: “agradeço muito ao apôio que recebi de uma pessoa muito especial, o Joelzão, lá do Espírito Santo”.

É, quem sabe? Porém o Ronaldinho apareceu lá em casa, ofereci-lhe um copo de leite com café, que ele adora, então perguntei-lhe sobre os seus desejos de futuro, assim como a gente fala com as crianças: “o que você vai ser quando crescer, hein Ronaldinho?” Ele respondeu-me como se não estivesse cometendo nenhum sacrilégio: “Bombeiro”.

Aviso: no meu imaginário só habitam maravilhas sobre a profissão de bombeiro. São de fato heróis. Mas Ronaldinho é Ronaldinho!

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Joel Rogerio
Enviado por Joel Rogerio em 16/05/2006
Código do texto: T157396
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Sobre o autor
Joel Rogerio
Colatina - Espírito Santo - Brasil
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