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EU PERCO. TU PERDES. ELE GANHA. E AÍ, MEUS AMô?


Nem sempre a gente pode ganhar. E não ganha. Isso é a mais pura verdade. Mas, me diz aí você do outro lado, como é que você segura o sucesso e a felicidade alheia. Bem? Hummm... Até quando você não tem lá tanto sucesso (ou nenhum) ou então quando você e mais umas pessoinhas acham que você tem muito mais talento, é muito mais cheio de predicados e merecia todos os louros do dito cujo fiduma-profissional-do-sexo (estou tentando ser elegante e seguir a cartilha do politicamente correto) e mais alguns? Aha...aí a coisa fica um pouco colorida de escuro....(espero que isto se enquadre nas novas normas...)
Fico muito danada de ver como tem gente por aí que não consegue reconhecer que o outro tem valor, que o outro é criativo, que trabalha, dá duro, e principalmente, que tem talento. E é lógico, nestes casos, muito mais do que os próprios inconformados.  O sujeito chega, dá a notícia da felicidade, e o outro, com aquele ar de  “a que horas é mesmo o teu enterro?” devolve um “que legal...” amarelo-icterícia.
Tudo bem. Se você nem é tão amigo assim, não vai fazer carnaval, chamar uma banda de música, estender tapete vermelho e mandar descer o champagne. Mas custa muito compartilhar a alegria, que é só o que o cara deseja? O duro de tudo – e muito pior – é você sair diminuindo, desqualificando e buscando razões para o acontecido.
Os mais espertinhos tratam de descobrir qual a foi a fórmula mágica que aquele fiduma sem talento (segundo você) descobriu e tratar de fazer igual. E aí você também ganha algum, indo na esteira. E aí, pelo menos sem querer, lamento, você teve que reconhecer que o cara é bom e você um mané, que não consegue ter iniciativa e idéias próprias. Melhor que nada, né? Humpf...
Lógico que depois tem as opções “porque-mamãe-e-Deus-etodoomundo-estão-contra-mim?”, que você também pode escolher:
1) O mundo é uma sujeira, a humanidade toda (e aqui entra o fiduma) é um lixo execrável que faz uso de meios abomináveis, escusos e baixos para alcançar seus objetivos , e aí você fica feito um porco rolando na lama da miséria humana, pra justificar sua condição de pobre coitado e, é claro, aproveita pra não fazer nada, de vez que você, uma criatura cheia de princípios, recusa-se terminantemente a lançar mão daqueles meios abjetos (que lançaria se tivesse tido a idéia primeiro) para alcançar aquela felicidade nauseabunda; ou
2) Deus é injusto, o mundo é cruel e a vida, esta madrasta, lançou-lhe uma sorte meretriz de quinta categoria, mas quem sabe se você ficar quietinho esperando, uma hora o destino lhe traga uma boa surpresa. De preferência, sem que você tenha que fazer força.

     Resta ainda, com um pouco mais de bom senso, botar mãos à obra, enfiar a cara e a coragem no trabalho e na vida, buscar ajuda profissional (em certos casos, pra gente não se sentir um lixo total), alguma diversão (em casos mais extremos, os dedos e um bom vibrador podem ajudar se você for moça e bem resolvidinha) ou um cinco contra um, para os rapazes, na ausência absoluta de um chameguinho ao vivo e a cores.
     O que é horrível, pavoroso, medíocre, hipócrita, coisa de mané mesmo, é virar sombra do fiduma sortudo, quem sabe assim você aparece às custas dele. Ou então diminuir o valor do cara, que segundo sua iluminada opinião, não tem talento, é um zero à esquerda mas que nasceu com as partes gordinhas viradinhas para aquele satélite prateado. O cara pode ser sortudo, pode ter a bunda virada pra cima, mas se fez algo bom e todo mundo viu e ele levou a boa, ele pode ser tudo, mas não é tonto.
Se, ao fim de todas as opções, nenhuma se enquadrar no caso, o jeito é pintar o traseiro (aquele mesmo do discurso do Presidente) e sair gritando INCÊNDIO... Pode criar um baita rolo, muita gente em pânico, bombeiro querendo te matar, mas que você aparece...ah, aparece. E quem sabe aí alguém reconhece o teu talento...Pra palhaço.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 09/05/2005
Código do texto: T15798

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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