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Túmulo do Soldado Desconhecido (Paz ou Guerra?)

Túmulo do Soldado Desconhecido



Dentre os símbolos da paz e da liberdade, a pomba branca e, por mais paradoxal que possa parecer, o túmulo do soldado desconhecido são os mais divulgados.

Em toda visita oficial de dirigentes de países às nações ocidentais, não pode faltar a tradicional visita e a oferta de coroa de flores aos túmulos dos soldados desconhecidos.

Provavelmente, motivados pela importância que damos à paz e à liberdade, tínhamos um compromisso antigo de visitar e prestar nossas homenagens ao túmulo do soldado desconhecido.

Não prevíamos é que seríamos assediados por pensamentos que, por parecerem não nos pertencer, nos sentimos no dever de registrar.

Será que valeu à pena: vidas e vidas de jovens terem sido interrompidas bem como todo o desespero e sofrimento provocados pelas guerras, para termos como resultado um planeta ameaçado pelo buraco na camada protetora de Ozônio e com campanhas de "mãos limpas" espalhadas pelos seus continentes?

Se acontecesse um plebiscito no planeta para escolher entre a paz e a guerra, temos a certeza de que a paz seria eleita por unanimidade. Por que nossas realizações estão tão distantes de nossos desejos?

Que mistérios possuem a natureza humana que, quando em massa, pode ser conduzida por "átilas"?

Se nos fosse permitido, ou se fôssemos capazes de receber mensagens dos espíritos dos soldados desconhecidos, o que teriam para nos transmitir?

Como levados pelo mistério do momento, refletimos sobre as causas das guerras e chegamos à conclusão de que aquelas estabelecidas pelos analistas - econômicas, políticas, ideológicas, religiosas, raciais ou sociais - constituem apenas pretextos. Elas devem ser mais profundas e devem estar relacionadas aos atributos da natureza do homem.

Parece-nos claro: as guerras só acontecem pelo fato de nós, homens, no estágio de evolução em que nos encontramos, ainda, não termos sob controle da razão nossas paixões mais grosseiras, dentre as quais um desejo incontrolável de posse e domínio. Um desejo de conquistar, dominar e usar o vencido.

Existe uma corrente que afirma: "assim foi e assim sempre será. O homem evoluirá somente nas suas formas de dominar. A sua natureza de animal de rapina jamais será alterada".

Os naturistas chamam atenção para nossa condição de carnívoros não ser aquela de nossa origem. .E, como herbívoros que fomos, deveríamos atentar para o fato que os herbívoros não matam seus semelhantes nem para sobreviver e só agridem quando atacados.
     
Alguns sociólogos, por sua vez, afirmam que as mais belas, assim como as mais feias inclinações do homem, não são frutos de uma natureza fixa e herdada biologicamente. Os impulsos, que contribuem para as diferenças de caráter dos homens, são todos produtos do processo social.

Esses defensores da Psicologia Social afirmam que apesar de o homem moderno ter como atributo da sua natureza a agressividade, um aguçado instinto para destruir, exacerbado sentimento de posse, anseios de submissão ou de domínio, tem também anseios de realizar uma vida de amor e trabalho produtivo. Assim, à medida que a sociedade for criando condições educacionais, sociais, e econômicas, os atributos positivos serão desenvolvidos e prevalecerão sobre os negativos.

Os cristãos propagam que o homem é feito à semelhança e a imagem de Deus. Interpretamos como sendo um vir a ser, pois não nos é possível acreditar que esta nossa imagem seja a Divina.

Os esotéricos alertam que somos deuses, só que disto nos esquecemos. Ou seja, nossa essência é Divina, mas, como estamos homens, neste estágio evolutivo somos marionetes dos mais grosseiros instintos e emoções.

Nossa convicção é a de que nossa atual condição de animal de rapina será transformada por meio da ciência, das artes, da educação, da filosofia, da religião, da política, do esoterismo e, principalmente, pelo trabalho dos homens.

O exemplo de Gandhi, da não violência, vingará e a paz inundará o planeta. As guerras e suas causas só servirão para textos históricos desta era truculenta.

Nessa era de ouro do planeta azul, certamente, se ainda dependermos da alimentação (pode ser que cheguemos a precisar somente da respiração e da manipulação das energias), esta será exclusivamente de frutas, castanhas, cereais e alguns vegetais.

O processo social será favorável à manifestação das mais belas inclinações dos homens. Redescobriremos nossa essência Divina e nos transformaremos na imagem e semelhança de Deus.

"A Nós, Flores do Soldado Desconhecido" são rimas para marcar nossa visita ao Túmulo do Soldado Desconhecido e especulam sobre "o que" os espíritos dos soldados desconhecidos teriam para nos dizer.



     


A Nós, Flores do Soldado Desconhecido




       Foi convencido, valeria a pena.
       A paz, a fartura,
       a liberdade e a justiça
       exigiam dele a própria vida.


       Trocou a caneta, o violão,
       a família, os amigos, e a terra
       pela pistola, mosquetão
       e o trágico palco da guerra

       Nas lutas, bravo e destemido,
       o destino o havia escolhido,
       pelo mesmo ideal dum jovem inimigo,
       um tiro certeiro, um corpo caído.

       Morria um filho, um irmão, um amigo...,
       nascia o Soldado Desconhecido.

       Flores, bandas, salvas e marchas;
       orações, discursos e aplausos;
       Estadistas, turistas e monarcas
       indiferentes à experiência dos mortos.

       Seu espírito consome a história
       em viagens pelo tempo e espaço.
       Dos dominadores, as guerras fizeram a glória,
       mas não a paz e o progresso.

       Mais uma vez seu sacrifício
       troca o Sutil pela matéria,
       reencarna e tem a palavra como ofício:
       "faça o amor,não faça a guerra".

       "Legisle pelo direito e pela moral;
       julgue pela ética e pela justiça;
       trabalhe pelo bem-estar sócial;
       liberte-se da ira, inveja e cobiça".

       "Preserve a natureza;
       viva a vida com prazer;
       cultive a harmonia e a beleza;
       e ame o próximo como a você;
       e ame o próximo como a você.
J Coelho
Enviado por J Coelho em 11/05/2009
Código do texto: T1586981
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Sobre o autor
J Coelho
São Lourenço - Minas Gerais - Brasil, 74 anos
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J Coelho



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