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BENGUELA - DA CAPOEIRA ÀS ACÁCIAS

Benguela, conforme reza a história, a cidade angolana das escarlates Acácias Rubras ou seja a eterna plenitude desta árvore frondosa e suis generis na sua cor fantástica, pode-se considerar actualmente, tal como alguns estados do Brasil, terra do samba e do preferível Carnaval, uma biblioteca que ainda não está bem explorada, mas que com o desenrolar dos tempos, virá a público o que esta formosa urbe tem a dar ao mundo.

Historiar acerca da fundação de Benguela não é uma coisa que parece fácil, pois não é por vaidade e não por vivermos aqui na urbe. A história da cidade remota por volta de 1601, altura em que desembarcaram os primeiros portugueses na chamada Baía das Torres, uma denominação atribuída por causa da configuração do actual Morro do Sombreiro que fica a Sudoeste da localidade ou ainda a Baía das Vacas, tendo em conta a riqueza pecuária.

Mais tarde, mas concretamente em 17 de Maio de 1617, Manuel Cerveira Pereira acompanhado pelo seu piloto, numa frota de quatro navios e um patacho, chegou à Baía de Santo António onde foi situada a cidade, que o conquistador português pôs o nome de São Filipe. Esta estava cercada de um rochedo demasiado forte e de espinhos muito ásperos por cima, cuja densidade populacional inicial era de cerca de 130 Homens. Nesse mesmo ano, Cerveira Pereira tornou-se no primeiro governador de Benguela.

Todavia, devido ao paludismo, originado com a presença dos pântanos, em Março de 1618, em São Filipe haviam apenas 10 brancos, dentre oficiais, clérigos e soldados, bem como 80 nativos subalternos. Quatro anos mais tarde, isto é em 1622 chegaram 70 soldados da Metrópole, tendo, os progressos da “cidade” começados com o crescimento da urbe a pau a pique, a adobe, exploração do sal, o comércio de escravos e dos produtos primitivos.

Dando cumprimento às ordens reais para investigar as vantagens económicas da exploração do cobre de Benguela, em 15 de Agosto de 1624, Fernão de Sousa, o então governador de Angola, escreve para o Paço dizendo que não concordava com a escolha do local para a cidade de S. Filipe, achando melhor o Sumbe Ambuela, visto este porto ficar mais próximo das minas.

Não houve mudança da cidade, mas as queixas de Fernão de Sousa, começaram a produzir efeito e veio ordem de Portugal para que Manuel Cerveira Pereira voltasse à Lisboa. Infelizmente, tal missiva já o encontrara morto. Tendo, assim sido, substituído por António Pinto, e depois Lopo Soares Lasso, por nomeação do próprio governador de Angola.

Entretanto, Lopo Soares Lasso chega a S. Filipe a 10 de Maio de 1627, acompanhado de cerca de 80 soldados, iniciando assim, uma campanha de apaziguamento dos sobas das redondezas, mas, em 21 de Dezembro de 1641, os holandeses tomaram a cidade de S. Filipe,  tendo os derrotados refugiando-se a cerca de 40 léguas, onde muitos deles morreram e outros abrigaram-se em Massangano.

Rodrigues Castelhano, em 1648, liberta S. Filipe do jugo dos flamengos, isto é no mês de Agosto. Porém, em 1650, Salvador Correia, quis mudar a cidade para o local denominado Catumbela, atraído pelo rio caudaloso que ali corre. Mas tal mudança nunca foi realizada, uma vez que a comissão nomeada por D. João IV, acabara por morrer antes mesmo de ser iniciada tal transferência.

Ainda em 1650, houve na costa de Benguela encontros entre naus portuguesas e de corsários holandeses e ingleses, que se dedicavam à pirataria e o saque de terras a beira-mar.
Por outro lado, no respeitante ao Tráfico de Escravos, Benguela deu algumas lições valiosas ao Brasil, sobretudo na arte, destacando-se a dança da capoeira, que, segundo a história, teve origens entre os nativos desta cidade do Litoral Sul de Angola, mas que viera a conhecer um progresso mais importante no aludido país sul-americano.

Hoje, são assim decorridos cerca de quatro séculos desde a fundação desta magnifica urbe, que é sem sombras de dúvidas, uma das cidades de Angola mais faladas, conhecidas e reconhecidas. Benguela, no dia em que se conseguir ou se transformar de facto, numa circunscrição como no Brasil, onde as províncias são Estados com certa autonomia, será pois uma cidade com posição imensurável no contexto social, politico, cultural e económico angolano, tendo em conta que é uma das maiores e importantíssimas regiões do território nacional.

A título de curiosidade, convêm dizer que de Manuel Cerveira Pereira em 1617, até hoje no mandato de Dumilde das Chagas Rangel, Benguela já teve 281 governadores, e isso se justifica pelo facto de esta, ser uma cidade difícil, onde a vida é áspera e, sobretudo, com uma particularidade interessante, o seu povo quer o quer, pois quando quer alguma coisa ele fá-lo, mas se não lhe derem o vai buscar de alguma maneira.

O seu aeroporto 17 de Setembro, não é um empreendimento de aviação especial do tipo internacional, mas é uma coisa bonita, viável e pronta para quaisquer circunstâncias dos tempos actuais. Naquele tempo, foi a gente de Benguela que, portanto, quis construir o seu aeroporto, mesmo com uma série de dificuldades, até do próprio governo português, naquela altura, por vontades próprias ou por determinadas inconveniências que as não sabemos.

Mas, o certo é que a população da cidade de àquele tempo, decidiu arregaçar as mangas, dando um murro pesado sobre a mesa, dizendo; “ nós queremos um aeroporto…” e foi assim que até mesmo de bicicleta, cada qual transportou um tijolo para o local, onde actualmente está o aeródromo.

A cidade de Benguela, é também conhecida na história, pelo seus caminho de ferro, sendo os Ingleses aqueles que iniciaram a mesma, através de Roberto Willans, que fizeram a ligação ferroviária do Lobito a República Democrática do Congo, e dai nasceu esse grande empreendimento, que é hoje um poderio no actual contexto de desenvolvimento do país.

A reabilitação do caminho-de-ferro, já iniciada governo angolano, é do ponto de vista económico, uma iniciativa excepcional, sendo uma obra de vulto, um bem económico, uma acção que permitiu já o apito do comboio do (CFB) no município do Cubal. Economicamente, a conclusão dessa empreitada, será um fundamento grande para a economia de Angola, pelo escoamento de produtos do país  às repúblicas do Congo e da Zâmbia e vice-versa.

A cidade de Benguela tem também a particularidade de ser bem conhecida e apetecida pelas suas maravilhosas praias, com realce para a Morena tida como o recanto do amor, que prende os poetas e os escritores. “Quem aqui vem, fica”, tendo em conta a beleza natural da forma como as ondas se desenrolam nas suas imensas, lindas e sumptuosas praias.

Estas praias, com destaque também para as do "Pequeno Brasil", "Santo António", "Caotinha" e "Baia Azul" são lugares próprios e certos para cantar o amor e encantar a vida. Após isso,  o homem benguelense arranjou o seu refúgio, bem como a procura do seu amor, nas acácias rubras que exalam fragrâncias apaixonáveis aos humildes poemas dos poetas.

Outrora, Benguela já foi igualmente conhecida como a cidade jardim, devido ao Jardim do Lopes Mateus, um português que tinha um lindo jardim, onde actuava a banda do Cassequel. No seu hall de entrada, na parte Norte, a cidade conta desde os séculos ancestrais com o rio cavaco que a serpenteia, sobretudo no tempo das chuvas. Uma corrente de água doce de regime intermitente que há muito foi alargando também a sua plenitude e pulcritude.

Um dos primeiros bairros a emergir a volta da também conhecida cidade de O´mbaka (expressão de Benguela na língua nacional umbundo) foi o Benfica, aliás como mesmo se diz, foi o apogeu bairrista da urbe, onde nasceu muita gente intelectual, com particular realce para o poeta Aires de Almeida Santos, que em seu poema recita os amores vividos por si, na rua 11 desse mesmo bairro.

As potencialidades piscatórias da cidade de Benguela atraíram também outra leva de gentes idas de Cabo Verde. Como um perfeito exemplo refira-se a criação do bairro da Massangarala, enquanto indivíduos idos do interior da província criaram o bairro da Camunda, nas imediações do Cemitério Velho e assim a cidade foi crescendo até aos nossos dias.

Esta cidade, diga-se, foi a pioneira da Rádio em Angola, mas além disso, Benguela já fora e ainda o é hoje, um forte centro da Religiosidade Nacional, tendo primeiro começado a Católica, com a construção por volta de 1672 de uma igreja, que foi denominada de Nossa Senhora do Pópulo, cujas obras terão terminado em 1748. Todavia, actualmente, tem seguramente muitas ceitas, todas elas com as portas abertas e crentes em Jesus Cristo, filho de Deus, de acordo com as escrituras da Bíblia Sagrada.

Na Igreja Católica de Nossa Senhora do Pópulo, tida como o principal monumento religioso da cidade e porque não mesmo do país,  as missas eram celebradas naquela altura, pelos padres portugueses espiritanos (congregação católica sacerdotal do espírito santo).

Numa altura, em que se comemoram os 389 anos da cidade de Benguela, que tem uma superfície de 2100 quilómetros quadrados e uma população estimada em 469 mil 363 habitantes, há claramente um facto tristonho, o surto da cólera. Mas, espera-se que estas festividades da memorável urbe venham a ser mais carismáticas e menos tristes. Uma vez que, os benguelenses acreditam que o Governo e eles mesmos, só podem combater a cólera com as mãos dadas.

Pese embora isso, a sociedade de divertimento limitada do Carrossel, com sede no Lobito, volta em grande neste mês, com as suas acções de entretenimento, através dos seus carrinhos eléctricos e gruas, a reavivar fervorosamente distintas crianças, jovens, adultos e até mesmo mais velhos, nas vésperas das festividades do trecentésimo octogésimo novo aniversário da fundação da cidade de Benguela.

É um facto salutar falar muito de Benguela, mas com clareza, não no sentido crítico profundo, porque os homens falham, pois as autoridades competentes por vezes, também não podem fazer tudo, razão pela qual é imprescindível que haja verdadeiramente uma união de forças, para que se possa fazer desta, uma grande cidade e, acima de tudo, que se dê, se abrace e se eleve bem alto a juventude benguelense nos anais da história de Angola.



















Nkazevy
Enviado por Nkazevy em 19/05/2006
Reeditado em 29/08/2016
Código do texto: T158766
Classificação de conteúdo: seguro

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Benguela - Benguela - Angola, 30 anos
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