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MEU DEUS NÃO TEM OUVIDOS

A propósito de ter lido alguns textos sobre o Silêncio, lembrei-me das confusões que dá quando escrevemos pensamentos com palavras nuas, palavras cruas, ainda radicais, aquelas que ainda se escondem na terra antes de mostrarem seus  adornos e distrações...
Foi numa dessas que eu disse: Deus não tem ouvidos, Deus ouve o que eu quero; Deus não tem olhos, Deus vê o que eu quero... Ainda tentei explicar:  -Nem vê nem ouve quando eu inconsciente me acho alguém, escolho feijões... O crio além de mim, um Deus que me sirva...
Acreditem. Houve quem entendesse, mas vieram também tanto lixo de filosofias, teologias e religiões que resolvi deletar as palavras: melhor é o Silêncio. O Silêncio é o som primordial, foi nele que Deus quis ouvir. Sei disso quando atento me entrego a ouvir, permito-me ouvir, e a razão da Consciência torna-se clara... Que belos vôos: de Vivaldi a um cão... De Mozart a um pássaro... De um pássaro à voz de uma criança... Da voz de uma criança a um grilo... De um grilo às estrelas... Das estrelas ao centro de mim... E quanto mais me permito mais sei o quanto se quer ouvir e o quanto é lindo sentir o anseio da existência para ouvir seus próprios sons... Ser para ela o seu ouvido... Diluir-se na razão da Consciência...
Ah, sempre tem a contrapartida: ouço os sons para os quais não tenho ouvidos: os sons da Terra e os sons distantes, que passam a cantar para mim... E o melhor, ainda que por instantes, como um beijo do Divino, posta-se em mim o Silêncio: nada a dizer, nada que se diga, nada que se escreva, inexprimível... Depois vasa um pouco através da arte, de um gesto, de uma palavra de Amor, mas, nunca no todo: eu vi quando nasceu cada nota que Vivaldi colheu depois... Experimente, desminta-me!

Chico Steffanello
Enviado por Chico Steffanello em 22/05/2006
Código do texto: T160453

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Sobre o autor
Chico Steffanello
Sinop - Mato Grosso - Brasil, 58 anos
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