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A Rua Onze

A RUA ONZE


  Trilhos e caminhos suaves são brutalmente trocados por verdadeiros degraus onde a enxurrada das impiedosas chuvas é o moderno engenheiro.
Se houve encanto não saberei dizer, mas ouviam-se cantos vindo de lugares que não eram misteriosos, mas que em muitos metiam medo.
O tempo não foi mais forte que o vento mas fazer esquecer seria tentar realizar o impossível.
Ouve-se do vácuo incorrigível dos sons ( que outrora poderiam ser ruídos) um choro sem lágrimas.
Encontram-se na falta dos suaves caminhos e além das esculturas naturais, ossos sendo corroídos. Ossos que não são do ofício e nem do barão, mas que, sem dúvida, poderiam ser de um amigo fiel.
O que foi um sonhado progresso, hoje se realiza sem progresso, e o sonho, um sonho frustado.
Lamentar que ontem sonhamos alto demais é desistir de sonhar por um ideal hoje.
Mentiras foram ditas através das cortinas de água e poeira. Quando a verdade se estampava e caminhava na frente dos enganados que se imaginavam espertos.
Invisível não era, pois estava ali e desfilava com um sorriso de vitória fácil.
Morrer, ainda não morreu, continua ali resistindo. Sobreviver é preciso, (já ouvi esta frase antes) e mais ainda progredir.
Parou. O tempo não parou, mas ela sim.
Algum dia alguém perguntará porque ela é tão medieval.
O que houve com a rua Onze?
  Onde estão os seus freqüentadores indecentes e depois decentes, que eram diferentes e hoje mostram os mesmos semblantes tristes e caminham cabisbaixos?


 
Valter Figueira
Enviado por Valter Figueira em 24/05/2006
Código do texto: T161861
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Sobre o autor
Valter Figueira
Carlinda - Mato Grosso - Brasil, 48 anos
39 textos (2147 leituras)
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Valter Figueira