O Dia Em Que Vi Tua Alma
O DIA EM QUE VI A TUA ALMA
Naquele dia estavas por demais amarga, áspera, angustiada.
Estavas calada, insegura, não sei...resumindo numa frase só: arredia, destemperada...!
Em meio à essa destemperança, surgiu um lampejo de candor onde me deixaste a porta entreaberta e foi por aí que avancei...talvez um descuido teu...talvez!
Foi no toque. Da pele com a pele. Do afago das mãos, cheguei ao teu olhar; do olhar, ao coração – morada da alma. Lá, desnuda de qualquer defesa, a tua alma.
Nada comparado ao dizer das palavras; nada comparado ao dizer do silêncio, até mesmo ao dizer das lágrimas. Nada disso foi preciso expressar porque a alma mostra-se por si mesma, despojada de tudo. Sem disfarces. A alma é. Simplesmente é!
Também viajei com a minha alma ao encontro da tua, daí o êxtase, o enlevo, o encanto, o deleite, o deslumbramento total!
Quando a mim foi dada essa permissão, gestualidade não foi mais preciso; nada preciso se fez para poder ver quão transcendente, harmônica e longânime és tu ao fazer-te uma só – quero dizer: corpo e alma! Lépida, jovial, alegre, em contraste com aquele que, às vezes,mostra-se meio rígida, inexorável.
Sim, eras tu. Tua alma. Eu vi!
De momento não encontrei palavras para descrever a cena. Aliás, acho que nem existem tais palavras! Acho que o adjetivo indelével é o que mais se apropriaria ao caso.
A rigor, tenho quase certeza, essa palavra que procurei não existe. Nem precisa. Não precisa existir! Não é nada para ser escrito. Não! Apenas para ser sentido!
Sim, era de fato a tua alma que eu senti em plenitude!
ancelmo portela (portelapoeta)
Enviado por ancelmo portela (portelapoeta) em 29/05/2009
Código do texto: T1620920
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