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NUNCA DIGA... 

     Chamem como quiserem: mania, implicância, cisma ou falta do que fazer, mas eu creio sinceramente que algumas palavras não deviam sequer existir para evitar o risco do uso. Não acredito em absolutismos e certezas, falando positiva ou negativamente. Tanto faz. Simplesmente não acredito em “para sempre, nunca mais, definitivamente”. Principalmente no que diz respeito aos relacionamentos. Acho que aqui podem ser necessários alguns esclarecimentos, já que as ditas palavras, nestes casos terminam, na maior parte das vezes, em confusões e cobranças intermináveis.
“- Mas você disse na semana passada que ia me amar pra sempre...Como agora...?
- Eu sei, querida, mas isso foi na semana passada..” 
     E pronto: isso já é o suficiente para que o sujeito passe imediatamente à categoria de CCM (Cafajeste, Canalha e Mentiroso – a ordem pode ser invertida de acordo com o caso). 
     Não vou fazer apologia da mentira ou de declarações de amor levianas, mas acho bom que a gente – especialmente nós, mocinhas – aprendamos a decodificar as coisas que ouvimos. Se o cara te disse que vai te amar pra sempre trate de entender que, naquele momento, ele “quer te amar pra sempre” , seja qual for a razão. Isso geralmente vem depois de uma bem dada e gostosinha. Não percam nunca de vista que isso afeta sobremaneira o discernimento e a disposição masculina para tudo. Ele “quer” e isso sim, pode ser sincero. Mas daí a cobrar o “vai” é muito ingênuo. Nem nós podemos prometer isso, pelo simples fato de que não temos nenhum controle do que virá. Podemos alocar nossos melhores esforços tentando eternizar o amor que nos faz bem, mas ainda assim há variáveis que nos fogem ao controle. Então, melhor ficar só no “eu amo você agora e gostaria que durasse para sempre” , que isso, pelo menos é algo que sabemos de fato. 
     Do outro lado, e na mesma linha, vem o famoso “jamais deixarei de te amar” ou “jamais odiarei você”. Conheço gente que disse isso num dia e uma semana depois comeria meu fígado acebolado no café da manhã sem a menor sem-cerimônia. Portanto, deixemos o “jamais” cair em desuso e passemos para “eu realmente não gostaria de perder você” ou “ não quero sentir nada de ruim por você”. Cai melhor. 
     Definitivamente, definitivo não tem nada. Alguém aí nunca mudou de idéia? Então, atire a pedrada que estou esperando. Não somos seres absolutos. Somos relativos e incertos até a última partícula quântica que pudermos conhecer. Somos falíveis, sujeitos a mudanças e intempéries. E aí, atacamos de Donos do Universo, usando palavras absolutamente absolutas ao contrário, definitivamente incertas e sempre fora de propósito. 
     Se não quiser ouvir cobranças indesejadas ou não for capaz de trocar o vocabulário, feche a matraca. Dá mais certo. Aliás , isso me lembra aquele filme de 007 – Never say never again. Lembrou? O grande Sean Connery tinha dito que não faria 007 nunca mais...
Moçada, recomendo fortemente: nunca diga nunca. Você nunca sabe. Também vale para o sempre.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 26/05/2006
Código do texto: T163386

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai