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O Banho de Bacia

Célio  já foi para a paz do Senhor. Ficara paraplégico  e, por muitos anos, precisou-se acomodar numa cadeira de rodas.  Conseguia, mesmo assim, ter uma vida quase normal. Ia  todos os dias para sua chácara, dirigindo sem precisar de ajuda, pois  fizera  adaptações em seu carro. Era  uma pessoa feliz  e comunicativa, a todos   alegrando com suas piadas, nem sempre "bentas"!
Pai de cinco filhos – hoje todos já casados.
Sua  infância e adolescência foi  toda passada na roça, onde ajudava o pai  na lavoura e   a cuidar  dos animais. A mãe, Tia Rita, era uma pessoa alegre, festeira e o pai, Tio Pedro (*), era  uma pessoa sistemática  e bravo demais para a família. Ninguém saía de casa para ir à escola. Ele contratava  uma professora para morar em  sua fazenda e alfabetizar os filhos que eram 13!
Às vezes, reuníamos  algumas primas e passávamos o dia com eles. A seu modo, o tio era gentil  conosco.
O Célio casou-se  com a professora e vieram para a cidade. Foi ser caminhoneiro. Uma noite, foi assaltado e por pouco não morreu, mas o  tiro na nuca é que deixou-o quase inválido.
Sempre  encontrávamos em festas familiares, onde as fofocas eram colocadas em dia e sempre viam as lembranças das peraltices que ele e seus irmãos sempre aprontavam !
Um  dia, estávamos numa festa de aniversário, quando Célio disse-me ter um segredo guardado há muitos anos e queria desabafar com alguém, pois estava muito incomodado  com a situação. Eu , pensando como ele era  "levado", fiquei um pouco apreensiva e perguntei-lhe se eu também teria que guardá-lo ou poderia compartilhá-lo com  outra pessoa. Como ele disse que sim, dei-lhe toda a  atenção.
Ele, então,  relatou-me:
-“Eu tinha  uns 13 anos  e nunca tinha visto uma mulher nua ( naquele tempo não havia TV e coisa  rara era alguém ter uma  revista em casa).  Era grande a minha   curiosidade. Um dia, a Tildinha (ela devia ter uns 14 anos), nossa prima, foi dormir lá em casa  e quando ela estava preparando o banho de bacia,  num dos cômodos  da casa, enfiei-me debaixo da única cama que havia naquele quarto. É hoje, pensei.  Ela fechou a porta e sem desconfiar de nada, tirou a roupa e agachada perto da bacia  começou o banho, lavando o rosto. Nessas alturas eu já estava  com a respiração ofegante e morrendo de medo de ser visto!  Quando ela assumiu uma posição mais estratégica para continuar o banho,  o meu coração quase  saiu  pela boca  e não via a hora que o  banho acabasse,  para por um ponto final no meu sufoco! E se meu pai descobrisse, era uma surra na certa.”

Terminado o relato, Célio  sentiu-se  aliviado e  nós rimos muito! E agora? Seu  medo é que a Tildinha ficasse com raiva, pois ela sempre fora tão atenciosa com ele. Mas a Tildinha, sendo  uma pessoa muito espirituosa,  tinha eu  a  certeza de  que, depois de tantos anos, ela nem se importaria mais com o acontecido.
Reuni as primas mais chegadas  e comentei o fato. Quando a Tildinha chegou para a festa, foi a vez de prepararmos o "terreno" para que ela soubesse sem traumas. Célio estava ressabiado, mas ficou super feliz, quando a Tildinha deu-lhe o  abraço do "perdão"!


 
fernanda araujo
Enviado por fernanda araujo em 29/05/2006
Reeditado em 18/11/2006
Código do texto: T165551
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
fernanda araujo
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil
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fernanda araujo