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A MULHER TRANSGÊNICA


Como meus planos de ser psicóloga foram frustrados antes mesmo de existirem, acabei me tornando uma cliente assídua destes pacientes indivíduos que ficam ganhando uma grana para ouvirem todas as nossas barbaridades que não dizemos nem para o espelho. E aí, acabei me interessando por tudo que Freud explica ou não, o que o Reich acha que deve ser e por aí vai. Como tudo resulta ou começa nos relacionamentos, acabei optando por atentar para a eterna guerra entre os sexos. Apenas os oficiais, por enquanto, já que pra estudar os alternativos ia levar tempo demais.
Vira e mexe, a gente recebe aqueles emelhos sobre o homem isso e a mulher aquilo,  quase sempre faquinhas afiadas por detrás da pele de coisa bem humorada. Lembro bem de um que  trazia um mapinha e mostrava o percurso feito por um homem e por uma mulher para comprar uma camisa num shopping. O cara levava quinze minutos, ia direto em uma única loja, comprava a camisa e ponto. A mulher levava umas três horas e nem preciso mencionar o tamanho do carrinho de compras que trazia pra casa. Até achei engraçado, porque às vezes é verdade. Não é bem o meu caso. Se gosto, gosto. Se não gosto, já era. Não compro porque sei que só vai servir pra encher armário e esvaziar o bolso.
Fora isso tem aquelas histórias que as amigas sempre contam sobre “o fulano não me entende, não me acompanha ao shopping, reclama que compro demais, ele não vê que eu PRECISO de mais dois pares de sapato apesar dos 137 que já tenho, e buá....”.
Realmente, as diferenças são muitas e algumas têm até explicação científica dada pelos antropólogos de plantão. Por exemplo, o homem desde os primórdios era um caçador. Daí, ele tem uma visão em tubo, ou seja, só vê o alvo (os moços não fiquem tristes, mas isso me lembrou um cavalo com aqueles tapa-olhos nas laterais para não ver nada em volta...será que tem a ver???) .  As moças, por sua vez, ficavam em casa, encarregadas da prole e mais uma montanha de afazeres. Então, desenvolveram uma visão em leque, aberta, permitindo ver um bocado de coisas ao mesmo tempo. Isso explica porque sua senhora, numa festa lotada, consegue conversar com a amiga do lado, ver a roupa da outra que está na outra ponta e ...enxergar você passando uma cantada naquela loura espetacular.
Depois de muitos estudos e pesquisas, cheguei, finalmente, a possível solução do problema. O único jeito de fazer com que as moças compreendam como é chato acompanhá-las ao shopping por horas para comprar uma calcinha, como é um saco visitar parente no domingo, o porre que é assistir novela em vez do jogo de futebol e otras cositas más, é criarmos, com a ajuda da Engenharia Genética, a MGM. Não é a Metro-Goldwin Mayer, que já existe há um bocado de tempo. É a Mulher Geneticamente Modificada ou a Mulher Transgênica, se preferirem
Como é isso? Elementar, meu caro Watson...Uma mulher com um pinto na cabeça. E aí, ela seria um homem. Perfeito.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 12/05/2005
Código do texto: T16565

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154012 leituras)
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Débora Denadai