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Litania dos Loucos


Litania dos Loucos

 Não adianta você vir com esse papo de médico especialista em psiquiatria dizendo que sou louco, porque já gritei aos quatros cantos do mundo que não sou louco. Porque será que dizem quatro cantos do mundo sendo que o mundo é redondo? Tá vendo! loucos são os poetas e escritores que inventam isso, e depois ficam por aí ganhando dinheiro com mentiras e não sabem nem explicar o que escreveram. Inventam histórias que não viveram e dizem que é ficção. Ficção nada. Todas são que eles queriam ter vivido. Para depois ficar contando para um monte de gente que lê e são chamados de leitores. Taí! Loucos são os leitores que ficam nas filas das livrarias comprando livros para lê e depois ficam sonhando com o que leu. É nada, louco é o livreiro que vende livros, vende emoções escritas nos papéis, inventam que quando a gente lê acaba viajando por lugares e mundos desconhecido. Mas mais louco ainda são os editores, eles acreditam em tudo que os escritores escrevem e publicam, porque acreditam que os leitores vão comprar. Louco na verdade é esse sistema de compra e venda que deixa o mundo louco de raiva. Já disse, não adianta vir com esse papo que aqui é um hospital psiquiátrico e que você é um médico de louco. Loucos são os poetas que ficam fazendo odes para musas distante cantando amores impossíveis. Eles sim são loucos, ficam por aí contemplando os rostos belos e depois nas madrugadas frias, após uma dose e outra de vinho, fazem poesias, inventando paixões e sofrendo por elas. Eles sim são loucos. Quem? Os poetas aqueles que sofrem ao ler uma poesia que fala de um amor impossível. Sofre ao saber que outro poeta em outro tempo teve a mesma sina que a sua. Quem me dera saber Gregório de Matos. Se é meu amigo? Não é um poeta da antiga que teve uma paixão proibida. Ele sim foi um louco. Apaixonar é coisa de louco. O que? A paixão é que move o mundo? Não, o que move o mundo é a loucura. Só uma pessoa louca é que quer fazer a diferença. Num mundo de iguais os diferentes são loucos. Num mundo de alienados, os não alienados são os loucos modernos.  A mesmice está na moda, o copiar é fazer, e quem se aventura pela arte é o louco. A loucura é a arte. Já falei aos quatro cantos do  mundo que não sou louco. Aliás porque será que falam quatro cantos do mundo se o mundo é redondo? Tá vendo loucos são os poetas e escritores que inventam isso e depois não sabem explicar.

Valter Figueira
Enviado por Valter Figueira em 30/05/2006
Código do texto: T166115
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Valter Figueira
Carlinda - Mato Grosso - Brasil, 48 anos
39 textos (2147 leituras)
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Valter Figueira