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MINHA PRIMEIRA E DESASTRADA PARTIDA DE FUTEBOL

Nascido na roça e quinto de uma prole de seis irmãos que viviam e trabalhavam para prover o próprio sustento,até os meus sete anos vivi circunscrito naquele mundinho excluido das informações do mundo que me rodeava.
Com sete anos fui chamado a participar das lidas diárias do campo,ora plantando ou limpando o feijão,o milho,e tudo que fosse necessário para prover a alimentação da familia.
Preparar a terra,semear e cuidar da plantação, era a obrigação de todos os irmãos.
A vida seguia seu curso normal,sem apropelos e preocupações de quaisquer natureza.
Como ninguém deseja ou sente falta daquilo que não conhece
eu era feliz, como todos os meninos da mesma idade e condição.
Quando comecei a ir sòzinho para a cidade,com 7 anos e 3 meses de idade,vi,pela primeira vez, uma partida de Futebol.
Fiquei encantado com aquele jogo. Dois grupos que disputavam a mesma bola,cujo objetivo final e principal era o gol,comemorado com ruidosa alegria e grande sentimento de vitoria.
Aquela coisinha redonda que, mais tarde,vim saber ser a bola,me fascinava inteiramente.
Sem dinheiro para comprar uma,ainda que fosse a mais simples e mais barata, improvisei uma feita com restos de pano e trapos enrolados e costurados a mão.
Muitas vezes,em meu sonho de criança,com pés ainda desajeitados mas voluntariosos,torturei aquela massa disforme e feita de sonho e de esperança.
Meu maior sonho de menino da roça era participar de uma partida de futebol,naquelas "peladas" realizadas nas praças  públicas vazias ou nos terrenos baldios.
Nas muitas vezes que assisti a essas "peladas"observei bem como os elementos eram escolhidos.Primeiro os já conhecidos e bons de bola.Depois os nem tanto.Por último,aqueles desconhecidos,desajeitados e persistentes que permaneciam impávidos, na esperança de serem escolhidos.
Num dia desses,talvez por insuficiência de pretendentes,fui chamado para realizar o meu sonho.Quem me chamou disse apenas:- "fica ali e chuta naquele goleiro de camisa azul"
Sem conhecimento do jogo, das regras e, principalmente,sem nenhum cacoete de jogador,tentei cumprir minha missão,ou seja,marcar gol no menino de camisa azul que defendia a meta adversária.
Apesar da vontade e todo o esforço aplicado nada consegui.
Muito menos porque os defensores não permitiram,mas muito mais e,principalmente, porque eu era ruim demais.
Totalmente frustrado em minha tentativa de fazer gol,tive então aquela que me pareceu idéia maravilhosa.Recuei e me postei entre aqueles que defendiam meu próprio goleiro.
Ali,tinha agora a certeza que meu gol sairia a qualquer momento.
Na primeira bola que me veio ao encontro,dei uma ajeitada e  "bum" para o meu próprio gol.Surpreendidos os defensores e o nosso goleiro,a bola entrou livre,mansa e soberana.
Quando ia comemorar meu grande feito,vi que meus companheiros corriam todos contra mim e gritavam raivosos coisas que nem entendi.Com muito custo consegui fugir dos meus perseguidores.Graças a amigos que ali estavam e me defenderam,sai ileso da contenda.
Aos berros de adjetivos pouco recomentaveis,fui expulso de campo.Acabara,alí,bem em frente da Igreja Matriz,minha primeira e desastrada partida de futebol.
Narciso de Oliveira
Enviado por Narciso de Oliveira em 30/05/2006
Reeditado em 16/08/2010
Código do texto: T166256
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Sobre o autor
Narciso de Oliveira
Campinas - São Paulo - Brasil, 82 anos
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Narciso de Oliveira