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Sobre a inevitabilidade da vida.

Sobre a inevitabilidade da vida.

Em certa altura da maior trilogia já feita na história, para informação O Senhor dos Anéis de Peter Jackson, mais ou menos no meio do terceiro filme ou um tanto antes o mago cinzento, que toma o lugar do branco na hierarquia mágica, chamado Gandalf se dirige a Merry ou Pinppin um dos dois pequenos e diz uma das mais belas frases de todos os três filmes, deixando ainda para averiguação sua existência no livro, “All you have to decide is what to do with the time that is given to you”. (tradução livre – Tudo o que você tem que decidir é o que fazer com o tempo que é dado a você)

Há quem fique se preocupando com algumas questões ditas fundamentais da vida e passe sua inteira existência ruminando o capim invisível, acreditando-se detentor de um sabor inominável. Aquele sabor entretanto não passa mais do que um gosto produzido pela megalomaníaca mente que quer tentar responder o que acredita ser fundamental. De onde viemos? Para onde vamos? Quem nos crious? Há algum propósito na vida?

Antes de respondê-las, ou tentar, devemos, entretanto, buscar uma única resposta. Que, talvez, se respondida com propriedade possa nos esclarecer todas as outras. Uma pergunta muito mais simples e muito mais alcançável, não menos profunda, mas muito perigosa, pois no caminho de sua resposta encontram-se obstáculos inomináveis. Quem sou eu?

Como decidir o que fazer com o tempo que é dado a você se você mesmo não se conhece? Para onde você vai? Há aqueles que dizem que precisariam da resposta da pergunta “para onde vamos?” antes de dizer para onde iria. Sendo aquele que vai no balançar da maré, ou sendo aquele que nada contra a correnteza. Eles se condicionariam por uma determinação externa, deixando ainda de se conhecerem. Responder a própria pergunta é muito mais difícil, pois “para onde eu vou?” é muito mais pesado, muito mais cheio de responsabilidades do que um “para onde vamos?”.

Quem estaria disposto a por si só arriscar? O risco de se achar errado em uma fórmula que a sociedade já lhe dá de mão beijada é muito menor, pois no caso de no futuro se ver em um caminho que não se quis pode-se culpar tudo o mais, menos você, pois foi oprimido, ou induzido a seguir aquele ou esse caminho. Se abster de pensar no que se é dá-nos alguma proteção contra os erros que são muito mais urgentes se somos totalmente responsáveis por eles.

A saber também aquela frase nos diz muito de nossa postura em relação à vida. Quem dirá que controla a morte é um falsário. Quem falar que está além dela também. Uma certeza temos todos, vamos morrer e o nosso tempo não tem medida certa. Podemos morrer aqui agora ou daqui a cinqüenta anos. A única forma plausível de controlar esse tempo que temos é com o suicídio voluntarioso. Nele tomamos a liberdade total que nos é dada pela vida e acabamos com ela. Lógico que nos casos patológicos isso é um erro, ou quem sabe? Não teria o ser direito de por fim ao sofrimento maior em que se encontra?

Quem aceita a vida como ela é aceita o fato da morte a qualquer momento. Temos probabilidades maiores ou menores de morrer. Para quem é jovem a probabilidade é menor, se anda nos trinques, se faz tudo direito sem nenhum exagero. A probabilidade cresce assim que envelhecemos, o organismo vai parando, vai perdendo sua força contra a vida, que é demais desgastante. “A vida é uma doença hereditária, sexualmente transmissível e mortal”.

Como viver melhor sem aceitar o fato de que cada atitude é a última? Cada plano o derradeiro? Nem por isso vivamos como doidos como se fôssemos morrer agora e de fato provocando essa morte por falta de moderação no que fazemos. Podemos morrer, não cabe a nós decidirmos quando, mas também não cabe a nós ficarmos totalmente alhures a esse fato. Pensar na vida é pensar na morte.

Há um tanto de sabedoria em aceitar que o nosso tempo não é decidido por nós, podemos fazer o melhor possível para vivermos mais, mesmo assim em casos extremos deixamos de viver o agora para que possamos viver dez anos a mais de cuidados extras com a nossa saúde. Viver é aceitar-se mortal, mundano, normal. Brigar para viver mais, lutar para envelhecer menos. Hoje não se morre menos, todos vão morrer, duram-se mais. As pessoas por conta da medicina e de nossa tecnologia duram mais e nem por isso deixam de morrer. Todos morrem e todos só tem o tempo que têm aqui enquanto vivos.

Acreditar que há vida após a nossa morte é aportar alto demais, é deixar caro demais nossa aposta no incerto. É como apostar nossa vida toda no escuro contra não se sabe quantos oponentes. A vida só pode ser aqui e agora, é tudo que temos e temos só agora, esse eterno presente que é um presente de fato, aqueles que amam a vida a vêem como um presente divino, se considerarem a natureza divina, que não é.

Há sabedoria em se ver detentor de uma finitude e trabalhar com ela em prol de si mesmo. Para onde vamos? Eu vou em direção ao melhor de mim, sem me levar muito a sério também. Pois a vida não é séria, ela é simplesmente vida. Dar o máximo de amor a todos os que possam recebê-lo. Alguém duvida que algumas pessoas não querem receber amor? Orgulho, solidão, elas são muito mais importantes que o mais importante de todos, o amor.

No fundo “quem nos criou?” não importa quando vemos a resposta, nos criou por amor, “de onde viemos?” e “para onde vamos?” não interessa muito as localidades espaço-temporais, desde que em nosso percurso nada esperemos mais do que o menos possível e aproveitemos o máximo possível, isso é amor. Amar é potência de aproveitar o possível. Eu sou aquele que busca amar o máximo possível e percorrer esse caminho, seja lá qual for, e quem me disser que percorre seu caminho sem ser às cegas e no escuro mente. Ninguém sabe o que veio fazer, só sinto e nós sentimos uma intensa necessidade de amor, de dar e receber, de compartilhar. Assim tudo fica mais tranqüilo e quem há de se levantar para discordar dessa coisa inevitável da vida? Ei de decidir aproveitar o máximo minha vida com o máximo de amor que conseguir seja lá pra onde eu vá e tampouco me ligando de onde eu vim. A vida é simples, mas ninguém disse que é fácil a simplicidade.
leandroDiniz
Enviado por leandroDiniz em 31/05/2006
Código do texto: T166598
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Sobre o autor
leandroDiniz
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 34 anos
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leandroDiniz