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    PÉROLAS AOS PORCOS

      Não adianta me dizerem o contrário: eu tenho certeza de que não sou uma mulher. Sou uma ostra. ??? É...ostra, aquele bichinho em forma de concha de onde umas criaturas andam tirando as tais das pérolas. Ostra. Gosto de virar a concha e fechar bem trancadinha. Passei um monte de anos fazendo isso. E volta e meia faço outra vez.
     Explico: tenho horas de gostar de solidão e querer conversa só com a sujeita aqui de dentro. Pego horror à humanidade, dois pra mim vira multidão e eu tenho pânico de multidão, odeio até as paredes se elas cismarem de querer me ouvir. Aí ainda tem aquela minha mania de solidão amiga. De ficar caraminholando idéias que vez por outra se enroscam nos meus cachos e às vezes dão um nó do caramba. 
     Problema: a solidão deixa a gente cheio de manias, deixa a gente com mania de auto-suficiência, de desejos incontidos de independência igualmente incontível (existe essa palavra?? ah...dane-se) e a gente fica muito exigente e cheia de pré-requisitos. Tudo - leia-se assim, bem alto - TUDO, absolutamente é ruim e NADA  é bom o suficiente. 
     E no ostracismo (quem criou  a palavra sabia o que estava fazendo) a gente fica conversando na base do eu comigo mesma e acaba fazendo o mesmo que o bicho: depois de umas cagadinhas, saem pérolas. Mas se você insiste em estar sozinha e seguir no comigo mesma, vai fazer o quê?
     Tô pensando. Só tem duas saídas : ou vende caro pra um bom entendedor de pérolas ou acaba, por distração e falta de costume com a convivência social, atirando pra porcos. Não preciso dizer que não há escolha possível nesse caso, né? Acho que vou produzir um tantinho menos porque tem porco demais nesse mundo.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 31/05/2006
Código do texto: T166844

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai