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(imagem: carta Além da Ilusão , do Zen Tarot de Osho)

O LADO OCULTO DAS COISAS 

    
 É óbvio que todas as coisas têm um lado oculto, uma ordem secreta. O imponderável. Aquela coisa para a qual não se tem a menor explicação, nem uma pista do “por que diabos fiz isso e não aquilo que combina direitinho com minha cabeça?” Aquela coisa que, com todos os milhões de neurônios cientificamente estudados amiúde por zilhões de doidos que viram noites pesquisando, não explica porque raios você se meteu com alguém que todas as chances de dar errado eram de 237% e que você, inexplicavelmente, reduziu a nada mesmo sabendo que quem terminaria reduzida a nada era você própria. Estou convencida: há um lado oculto e uma ordem secreta nas coisas. 
     Pode ir parando: não estou aqui delirando em visões oníricas, não dei um “tapinha” hoje ( e nem nunca), não ando cheirando nada a não ser perfume e não, não uso camisa de força e nem preciso de uma. Mas que algo muito secreto ordena nossas vidinhas singelas, pode ter certeza que sim. 
     Ninguém, cientificista ou não, espiritualista ou não, ocultista ou não, qualquer-ista ou não vai poder dar estas explicações. No máximo vai discordar ou concordar que esta ordem existe. Mas também não vai provar se sim ou se não. Algo tem por detrás daquela decisão que você nunca sonhou em tomar e tomou em cinco segundos sabe-se lá porquê. Algo está muito mal explicado em você se meter com alguém a milhares de quilômetros e não com seu vizinho do lado que arrasta a asa pra você todos os dias há sete anos e quatro meses. 
     Sei não. Mas acho que o cheiro do café recém-passado hoje de manhãzinha me levou de volta a um lugar onde as mulheres ficam sentadas à soleira de suas portas tecendo tapetes de retalhos, benzendo com galhos de arruda e dizendo coisas que só agora, depois de tantos séculos, começo a desconfiar. O sol está muito forte , melhor esperar pela noite. No escuro e sozinhos é quando enxergamos melhor.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 01/06/2006
Código do texto: T167290

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai