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            Minha velha Olivetti

     Na minha vidinha de obscuro escriba, antes de aderir ao computador, tive três máquinas de escrever.
     A primeira, uma Olivetti semi-portátil, acompanhou-me nos meus vinte e tantos anos de jornal e rádio; ora como copidesque, ora como redator.  Eu a adorava.
     Quando, por motivos irremovíveis, tive que me afastar das redações, decidi aposentá-la: minha velha Olivetti já não tinha a vivacidade e o vigor de que eu precisava para, mesmo longe das redações, continuar escrevendo, todos os dias, longos textos. Ela cansara...
     Cuidei, porém, de preservá-la, guardando-a em um  lugar seguro, no meu gabinete de trabalho.  
   Sempre que nos encontrávamos, ela me trazia de volta boas e doces lembranças.  E também recordações de momentos azedos que juntos enfrentamos, na "guerra" dos primeiros tempos...

     A segunda máquina. A marca? A marca? Não me recordo! Sei que ela não me agradou. 
    Rejeitei-a, e parti para a terceira máquina, uma Sharp elétrica que, também, não gostei.
     Suportei-a, até adquirir o meu primeiro computador.
     Conquistado pelo computador, resolvi doar minha Olivetti, desde algum tempo inativa. 
    Decidi: doá-la, mas só a uma pessoa que, como eu, tivesse o saudável vício de escrever e não tivesse condições de comprar uma máquina nova. E foi o que fiz. 

     Lembro-me, com saudade, da tarde em que ela se foi, levando no seu teclado, já bem  amarelado, muito da minha pobre e insignificante história. 
   Vendo-a nos braços do seu novo dono, quase chorei... Dela me despedi, prometendo que, qualquer dia, lhe prestaria, publicamente, uma homenagem.

     O saudoso jornalista David Nasser reverenciando sua surrada Royal-1937, escreveu:
    "Trocamos confidências e de tal forma nos identificamos, que passei a pensar com os dedos e ela a adivinhar meus pensamentos."
     O mesmo acontecia com este obscuro cronista e sua velha Olivetti.  Posso garantir, que nem os encantos que a cada instante o computador oferece, fizem-me esquecê-la...  
     Com essa declaração de amor,  rendo-lhe minha homenagem, e pago minha promessa.
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 01/06/2006
Reeditado em 28/05/2014
Código do texto: T167461
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Felipe Jucá
Salvador - Bahia - Brasil
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Felipe Jucá

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