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EXORCIZANDO


Me perdoem por tocar neste assunto assim
Nunca pensei que o faria, mas a tortura vem de tantos anos, hoje chegou no limite do suportável e eu não agüento mais...
Sei que o tema é polêmico, mas, com quem poderia contar a não ser com você, com quem divido essa cumplicidade de trocarmos idéias?
Acolha-me hoje, preciso de ti para tentar livrar-me deste suplício: tenho presa na minha mente uma maldição...
Num dia, ou numa noite qualquer, a qualquer hora, eu não escolho isso, está a minha mente totalmente aberta, vulnerável: apenas pensa, suspensa, em tudo, em nada: pura... Pois é nesta hora que uma maldição pode entrar, como entrou naquele dia.
Quanto mais alto o vôo, mais vulnerável fica a mente para ser marcada por um pensamento maldito, às vezes, até infantil, mas que nos aprisiona para sempre, ligando-nos, toda a vez que a imagem se apresenta, a uma infâmia que quer a maldição que a vejamos, não nos permitindo mais vê-la como de fato ela é.
No dia que isso aconteceu comigo, creia-me, eu esta num Supermercado! Andava entre as gôndolas, empurrando um carrinho, procurando pelos itens da lista, ora objetivamente, ora apenas aproveitando o ir e vir para divagar, voando alto para saber o que se pensa no alto e, uma vez lá, voltar não pode ser algo rápido porque a realidade do piso é tão bizarra que causa o choque na mente e ela grava a imagem real ao grotesco e nos amaldiçoa para sempre ao pensamento recorrente toda a vez que a imagem real se apresenta. Explico. É simples, ainda mais neste meu caso:
Andando e divagando, empurrando o carrinho entre as gôndolas, olhava tudo sem ver objetivamente, assim, é claro que via, sem, contudo, atentar-me aos detalhes da moça que andava a minha frente de mini saia azul, uma típica usuária de saias jeans azul lavável, dessas que vemos todos os dias, em qualquer lugar: corpinho feito a Pipa, personagem do Mauricio de Souza, roliça, perninhas redondinhas, daquelas que andam juntas até a altura do joelho, também empurrava um carrinho e, quem sabe até divagava feito eu.
Não sei se naquela hora eu realmente olhava mais atentamente para as suas pernocas rechonchudas, mas, o fato é que passou o inusitado por mim, fazendo-me aterrissar de pronto, chocando-me com o grotesco da vida que anda no chão: um sujeito, igualmente gordinho, de faces afogueadas, faceiro, eu não sei porquê, olha para mim sorrindo e, fazendo um sinal com a cabeça, aponta para as pernas da moça e classifica a vestimenta sem mais:
- Abajur de Xoxota...
Pronto. Eis a maldição a qual estou preso desde então... Hoje, mesmo depois de tantos anos, andava eu entre gôndolas de um outro Supermercado, empurrando outro carrinho e divagando, quando a minha frente, três, nem duas, nem uma, mas três moças roliças, todas as três de mini saia jeans e eu via apenas o quê?
- Não agüento mais isso, quem sabe compartilhando contigo eu consiga me livrar da maldição e torne a ver apenas moças gordinhas usando mini saias jeans em qualquer lugar que as encontre...
Espero não tê-lo pegado no alto e o derrubado muito rápido para esse aspecto grotesco da minha realidade a rés do chão.
Chico Steffanello
Enviado por Chico Steffanello em 02/06/2006
Código do texto: T168295

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Sobre o autor
Chico Steffanello
Sinop - Mato Grosso - Brasil, 58 anos
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Chico Steffanello