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Esperança na ponta das chuteiras

Domingo, ando pelas ruas e vejo um “exército “ de patriotas, pintando as ruas da maior cidade do país, com bolas, troféu, bandeiras...
São brasileiros, acompanhados da cerveja, indispensável combustível da massa,
sonhando em ser campeão em alguma coisa. Tudo bem, se nós brasileiros tivéssemos uma conscientização  política, e partisse para uma ação efetiva em relação à corrupção que assola o Brasil desde 1500.
Vejo o Brasil, como o país da bunda, carnaval, futebol e cerveja. Belos componentes de alienação. O Brasil tem o pior ensino do mundo, a pior distribuição de renda, em relação a outros países da América Latina, péssimo Índice de Desenvolvimento Humano, floresta amazônica devastada, nordeste passando fome, alunos analfabetos terminando o Ensino Médio.
De fato, com todas essas tragédias, é até explicável, colocar nas chuteiras “inteligentes” que a Seleção Brasileira usará, toda a esperança de ser campeão em alguma coisa. Mas de que isso adiantará? E se o hexa não chegar ? Ah, pobres daqueles que gastaram dinheiro em tintas para enfeitar a rua, deixando de comprar leite, pão ou qualquer outra coisa para mostrar o quanto é patriota.
Será uma catarse, uma alegria incomensurável sermos hexacampeões no futebol, comemorado é claro, com muita, muita cerveja., Mas... caso isso não ocorra, aí entrará novamente a cerveja, para consolar a alma despedaçada nos pés dos nossos craques.
Ninguém questiona o fato de jogador de futebol fazer propaganda de cerveja. Esporte e álcool combinam ? Esqueci. O dinheiro é muito alto. Vamos fazer. Quando se pergunta a um menino, que profissão quer ter, a resposta é rápida: jogador de futebol, mesmo que com doze anos, não saiba escrever o próprio nome.
Cenário perfeito: Copa, cerveja, bunda, bailes funk, Assim os mandatários da política corrupta possam reinar a vontade, pois a população estará completamente possuída em ganhar mais uma estrela, na constelação das mazelas sociais e morais que assolam o Brasil, e podem ter certeza, demorará muito para que essa realidade se transforme.
Esporte é bom, gosto, admiro quem joga futebol e praticam outros esportes. Apenas não suporto o uso do mesmo para nos manter na ridícula situação de sermos reféns de uma esperança  que em nada  mudará a situação do brasileiro que ganha trezentos e cinqüenta reais por mês.
Fernanda Pietragalla
Enviado por Fernanda Pietragalla em 04/06/2006
Reeditado em 05/06/2013
Código do texto: T169400
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Fernanda Pietragalla
São Paulo - São Paulo - Brasil, 48 anos
126 textos (24244 leituras)
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Fernanda Pietragalla

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