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(imagem: Deserto, de Victor Melo)

ELOGIOS, SIM. MAS SEM EXAGERO 

     Você gosta de elogios? Certeza? Então lamento ser chata, mas acabo de finalizar mais uma das minhas inúmeras teorias originadas da experiência prática. Se você gosta de elogios, se fica esperando por eles como um garoto por sua primeira bicicleta (acho que hoje em dia melhor falar em primeiro celular, oh! Céus) seria conveniente dar uma boa olhada, com o devido auxílio de um doutor das idéias porque você certamente tem sérios problemas com sua auto (baixa) estima. Outra coisa útil pode ser o auxílio de um massagista. De egos. Você pode estar numa daquelas crises em que uma boa massagem no ego irá – temporariamente, que fique claro – dar um up no seu down. 
     Na elaboração da minha teoria – muito singela, por sinal - considerei a observação da reação alheia aos elogios, de como eles mudam até o jeito de andar, de olhar e de pensar das pessoas. De como, uma vez dado um upgrade na auto-imagem da criatura, ela começa a andar feito pavão de rabo aberto como quem diz : “Admirem-me. Sou demais!”. Ainda que faça cara de humilde, o rabo em leque é ostensivo e denuncia. Lado ruim da coisa: esta merda pode viciar. A criatura passa a gostar e precisar de doses cada vez maiores da droga. E é uma droga, literalmente: vicia, alimenta a vaidade excessiva que, por sua vez, prejudica o discernimento. Aí é a hora que a criatura cai de amores pelo primeiro que a elogiar no ponto certo, que, agora, é qualquer um. 
     Segunda parte da teoria: eu mesma. Passei a vida colecionando elogios os mais diversos: desde os que se referem a “beldade” no quesito “beleza física” até os elogios mais, por assim dizer “filosóficos e metafísicos”. Ótimo?? Só se for pra vocês. Pra mim é um horror. Criam um ser perfeito e maravilhoso , colam na minha cara e acreditam nisso. E quando eu resolvo ser o que sou – simplesmente humana – vem aquela cara de “como ela pode fazer isso?” ou “O que terá acontecido com ela?” e por aí vai. 
     Elogios podem ser benéficos. Mas quando é demais, como tudo na vida, torna-se um peso, um ponto de desequilíbrio. Acho que alguns até mereço. Mas trato eu mesma de fazê-los. Doses extras e exageradas não me ajudam e ainda tornam-se um fardo por demais pesado. 
Gosta de mim? Ótimo.  Pode dizer, que isso é bom. Mas modere a dose dos elogios. Como as críticas – aquelas “bem intencionadas, construtivas” – não agregam um milímetro àquilo que somos. E ainda atrapalham.      
     Por favor, não exagerem na dose. Pode até ser meio banal e grosseira, mas a frase que rola pela net é muito boa neste caso: “ As críticas não me abalam, os elogios não me iludem, sou o que sou e não o que dizem. Vivo o presente, sei lá do futuro e foda-se o passado”.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 06/06/2006
Reeditado em 06/06/2006
Código do texto: T170477

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154014 leituras)
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Débora Denadai