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O LIVRO DA SABEDORIA DE ALICE : PASSOU O TEMPO

Li num livro velho que tinha lá em casa sobre a mania que temos de fazer projetos no estilo “para depois que...”. Aquela maniazinha que temos de “vou fazer aquela viagem quando terminar o curso de especialização”, “vou começar a passear e me divertir com meu marido quando as crianças tiverem 18 anos” . Sabe como, não é? Todos temos esta mania de adiar a vida para um “momento adequado”.  Não pude deixar de me perguntar: QUANDO é o momento adequado?
Minha amiga Alice contou-me uma história muito interessante. Lá pelos seus dezessete, ela era uma moça cheia de planos sobre sua vida profissional. Procurava não se prender muito aos namorados para não atrapalhar os planos profissionais. Na verdade, ela nunca se interessou muuuito por nenhum que cruzou  seu caminho. Houve um. Gostava da companhia dele, era um sujeito calmo, bom de papo, gente boa mesmo e ...bonito. Pelo menos ela achava. Saíam juntos, tomavam café juntos nos intervalos do cursinho. Ele era professor dela. Um cara legal, enfim. Em algum momento ela soltou uma deixa pra que ele soubesse que ela gostaria, sim de ter algo com ele. Nada aconteceu.
- Olha, colega, desisti. Acho que não sou o tipo dele mesmo
- Mas Alice, o cara vive te convidando pra sair, ele está sempre por perto. Como você não é o tipo dele?
- Sei lá...já joguei o verde, não deu em nada. Vou deixar pra lá.
O tempo passou e ela deixou pra lá. Pintou alguém que já estava de olho nela quando ela andava de amizade com aquele outro. O cara se manifestou, Alice engatou um namoro com ele e foi indo.
Um dia, sem quê nem pra quê, o primeiro encontra nossa Alice na padaria de sempre e senta prum cafezinho. De repente, a pergunta:
- Alice, que você quis dizer aquela vez? Lembra?
Claro que ela lembrava. Só não sabia que ELE lembrava...
- Por que a pergunta agora?
- Porque eu não sei se entendi certo...
- Se você entendeu que eu tava a fim de você, entendeu muito certo.
- E agora, Alice? Ainda vale?
- Ah, cara...agora passou o tempo.
Não pude deixar de me lembrar da história. E remexendo os guardados, fico olhando um monte de coisas que já vivi e me vem a frase “ah...agora passou o tempo.”
Já quase perdi o bonde da vida várias vezes porque passou o tempo. Não quero mais guardar uma roupa bonita para quando tiver uma ocasião. Se não tenho a ocasião, visto pra mim mesma. Pra olhar no espelho e gostar. Não vou guardar. Pode passar o tempo.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 16/05/2005
Código do texto: T17301

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154020 leituras)
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Débora Denadai