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                       No dia dos namorados


        O dia dos namorados, os namorados curtem como bem querem e entendem. 
        Mas como o 12 de junho é véspera de Santo Antônio, as mancebas casadoiras, antes de assumirem quaisquer compromissos, costumam dar uma passadinha nos altares do santo casamenteiro.

        Aliás, este "amor imenso" por Santo Antônio, confessado sem temor pelas mulheres esposáveis, não é, comprovadamente, coisa somente das mulheres casadeiras do Brasil. 

        Quando estive em Pádua, não me passou despercebido o considerável número de moiçolas e coroas circulando em torno do túmulo do simpaticíssimo e milagroso santo lusitano. 
        Que estariam elas fazendo ali?

        Já os mancebos, no dia dos namorados, não ligam muito para o glorioso Casamenteiro. 
        Preocupam-se mais em arranjar uma boa grana para festejar a data, fazendo suas amadas felizes. Que pode ser levando-as a um barzinho; a um restaurante; ao shopping; ou, partindo para um programa mais ousado, levando-as a um motel, onde o amor cresce em intensidade e beleza...

        A Igreja Católica não diz por que o franciscano Antônio de Pádua é, também, venerado como o agenciador de bons maridos; de bons casórios.
       Interpelada sobre a origem e a eficácia da devoção, a Santa Madre Igreja dá explicações que se aproximam dquelas que o povo já conhece e aprova.

        A Igreja não veta esse milenar e sadio apelo. 
        E nem seria louca de fazê-lo. Perderia a admiração de boa parte do seu rebanho feminino. De repente os oratórios antoninos ficariam às moscas; mormente às terças-feiras. E o 13 de junho acabaria.

        Vale lembrar, que a contribuição pecuniária depositada pelas queridas solteironas nos cofres antonianos, ajuda o vigário a comprar o pão dos pobres que, famintos, desfilam, diariamente, no patamar de sua igreja. 
        Nunca esquecer, que o santo casamenteiro é, também, o protetor dos "desvalidos da fortuna": Santo Antônio dos Pobres.

        No dia dos namorados, sempre surgem historinhas boas de serem contadas. Não, necessariamente, a história da solteirona que, ajudada por Santo Antônio, encontrou, depois de indescritíveis batalhas, o seu grande amor...

        Há casos curiosos como o que estaria acontecendo numa pequena cidade do Nordeste. Sobre ele a imprensa local não silenciou. 
       A cidade - me permitam manter seu nome em segredo - tem Santo Antônio de Pádua como seu padroeiro. Lá, de 1 a 13 de junho, tem novena, tem benditos, e o forró junino rola solto: é a trezena.

        O prefeito da cidade, querendo bajular Santo Antônio, diz um jornal, iniciou a construção de uma estátua (imagem?) gigante do estimado orago, prometendo aos seus eleitores entronizá-la num lugar de destaque do seu município.

        Não cumpriu a promessa. A cabeça da estátua, "uma enorme peça oca feita em cimento, e medindo cerca de 1,80m de altura", repousa, esquecida pela prefeitura, a 500 metros do resto do corpo!

       Casais enamorados, frisa o jornal, refugiam-se à boquinha da noite no interior da cabeça abandonada, e FAZEM AMOR! 
       Os encontros aumentam no dia dos namorados; e é cada vez maior o número de crianças nascidas nove meses depois de cada 12 de junho, ressalta, com ironia, o repórter responsável pela veiculação da notícia.

       Não censuro esses casais. 
       Curtam o dia dos namorados onde bem quiserem. Se na cabeça da imagem inacabada do taumaturgo, melhor ainda. Eles devem crer, piamente, que Antônio de Pádua é mesmo o santo casamenteiro. 
       Felicito-os pela brilhante e oportuna
idéia...
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 11/06/2006
Reeditado em 31/01/2008
Código do texto: T173388
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Sobre o autor
Felipe Jucá
Salvador - Bahia - Brasil
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Felipe Jucá

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