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Pobrema ou poblema? Qual é o certo?

Nossa língua portuguesa é mesmo impressionante e impressionantemente rica. Entretanto certas coisas deixam a gente em situação de completa ignorância.
Explico: outro dia lendo um dos escritos do site Recanto das Letras (ponto com ponto be erre) o autor dizia-se chateado por ter descoberto erros em seus textos, os quais não admitia em textos alheios, quanto mais nos próprios. Pois bem, o erro a que ele se referia dizia respeito à grafia de determinada palavra, sendo que era grafada corretamente com esse e ele, por distração grafou ce cedilha.
Comentei dizendo que tais erros serviam para a gente se dar conta do quanto humanos somos, que errar é parte da natureza humana, e que corrigir incansavelmente faz parte da rotina dos perfeccionistas como ele e eu.
Ocorre que ao escrever para ele lembrei de um fato ocorrido há muitos anos, talvez uns trinta, e se deu dentro de um ônibus urbano.
Naquele dia eu estava cansado e, diferente dos outros dias, permiti-me não ler durante a viagem (hábito virtuoso adquirido em razão de uma situação que em crônica futura vou relatar), e resolvi deleitar-me ouvindo conversas alheias.
Não pense, caro leitor, que minha pretensão fosse cuidar da vida alheia ou censurar de alguma forma aos outros, simplesmente gostava de ouvir os maneirismos populares de expressão falada, gostava (e ainda gosto) dos diversos sotaques, tentando, quiçá, adivinhar a procedência. Tal era meu norte naquele dia.
Havia um grupo grande de pessoas, em sua maioria viajando caladas, absortas em seus próprios pensamentos, mas uns poucos conversavam baixinho, tentando manter um mínimo de privacidade ou segredo. Debalde, claro. Ônibus lotado, qualquer palavra proferida cala nos ouvidos alheios.
Havia uma mãe jovem que dividia o tempo em repreender o filho e cobri-lo de mimos no banco ao lado do meu. Um casal trocava beijos apaixonados dois bancos à frente e duas empregadas domesticas conversavam no banco de tras.
Certo momento da conversa das secretárias do lar, uma delas teceu a dúvida que estampa o título deste escrito: Pobrema ou poblema? Qual é o certo?
Remexi na cadeira, mas mantive a calma para não cair na risada. A outra não tardou em responder, lascando a seguinte resposta: os dois ta certo. Poblema é coisa de matemática e pobrema é coisa de família.
E o assunto foi encerrado.. desci do ônibus dois pontos antes do que devia, para ruminar sobre o que me causou tal conversa alheia. Afinal qual é o meu problema? Pobrema ou poblema?
Almir Ramos da Silva
Enviado por Almir Ramos da Silva em 10/08/2009
Reeditado em 24/01/2014
Código do texto: T1746620
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Sobre o autor
Almir Ramos da Silva
São Paulo - São Paulo - Brasil, 50 anos
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