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COM ZAGALO: VAMOS COM FÉ

Hoje eu vou falar de Fé porque começou a Copa e bem daquele modo que eu e milhões não queríamos: começou com o velho drama que conhecemos bem: primeiro o desfile dos intocáveis, afinal futebol também é dinheiro, e muito dinheiro! Depois, nos últimos vinte minutos, ou menos, corrermos atrás do prejuízo. Será dramático e, com todos os galácticos, poderemos perder a Copa simplesmente porque ninguém faz o milagre de recuperar o tempo perdido.
Ronaldo, o grande, não está gordo, está pesado, lerdo, lento, parece o Ronaldo da Copa da França, mas é o homem que vale milhões para ir para o banco, ou melhor, ficar no banco e só entrar nos últimos dez minutos do segundo tempo quando o Brasil já estiver ganhando de dois ou três gous de diferença... Mas isso não vai acontecer: primeiro vai se esgotar o time, onze jogando com dez, mais ou menos durante uns sessenta minutos e quando todos já estiverem muito cansados, surrados de pancadas e pensando que já deveriam estar ganhando o jogo, mas não acharam o caminho, tenta-se o impossível.
Os meninos são bons, mas Parreira não é Felipão. Se ele não tomar jeito...
– Mas tem o Zagalo!
– Ah, sim, graças a Deus, ou melhor, a Santo Antonio. Vocês viram: é o Santo de sua devoção. Esse homem só pode ser Croata de origem ou de outra encarnação: o Santo Antônio é o Padroeiro da Croácia! E nós ganhamos o jogo, magro, magro, ta certo, mas ainda assim ganhamos. Mérito de quem? Do Zagalo e da sua fé tão bem posicionada em termos de Santo.
–  Mas, e se existir um Santo mais forte que o Antônio?
 - Parece que eu estava adivinhando essa pergunta, já tomei todas as providências: fiz um rápido estudo e fiquei mais preocupado ainda: não é que o Antônio não é um especialista em futebol? Ele é o Santo dos casamentos e, ainda assim, para funcionar, o devoto precisa deixa-lo de cabeça para baixo até que o ato se consuma, ou, melhor colocando, até que se ache o marido... Deu sorte o Zagalo!  Mas, não dá para ficarmos sem uma providência, afinal, não somos o Parreira, e passo agora a minha sugestão, que é bem simples: arregimentemos mais Santos. Tipo assim: vamos melhorar o ataque, reforçar o meio-de-campo e a defesa com reforços de primeira linha: o Santo Antônio pode ficar ali por perto do Zagalo mesmo, já que estão de casamento consumado há muito tempo. Para o Parreira, Santa Luzia, a Santa protetora da visão e Nossa Senhora de Guadalupe, a protetora dos bens materiais. Coloquemos o Benedito, que é o protetor do trabalho, no auxilio direto ao Dida. Para a defesa, São Judas Tadeu, seu lema era resistir sempre e tem fama de infalível. Meio-de-campo, São Marcos,o Santo que é evocado para se conseguir um bom trabalho e mais: Nossa Senhora de Lourdes, ajuda a superar dificuldades, São Francisco de Assis, além de protetor dos animais, que não é o caso, é invocado para afastar mau-olhado e Nossa Senhora das Dores, que cura problemas de saúde. Para o ataque, ninguém menos que Santa Rita de Cássia que, ainda em vida fez muitos milagres, e agora atende as causas perdidas, jogando par e ponta com ela, aquele que você invoca quando precisa um milagre para ontem e é consagrado como o Santo das causas urgentes: sim, ele, todos nós o conhecemos, o imbatível Santo Expedito!
Pronto!
Agora vamos com Fé, a Fé não costuma falhar!
–  E se falhar?
–  Ô, homem de pouca Fé!
–  O’ce sabe, né... Não tem Santo para recuperar tempo perdido, ainda mais em jogo de futebol...
–  Bem, então, que Deus nos acuda!
Chico Steffanello
Enviado por Chico Steffanello em 14/06/2006
Reeditado em 12/07/2006
Código do texto: T175060

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Sobre o autor
Chico Steffanello
Sinop - Mato Grosso - Brasil, 58 anos
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Chico Steffanello