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Da janela

Há muito tempo atrás eu tinha uma velha mania, gostava de ficar na janela de minha casa por horas e horas, via o movimento das pessoas, os carros, os casais, os bêbados, os mendigos, via de tudo, mas o principal era ver um jovem rapaz que todo dia passava exatamente às 15:42, esperava aflita por esse momento chegava até me arrumar e independentemente lá estava eu as 15: 42 na janela.
Era um rapaz muito bonito, alto, ombro largo, percebia que se gostava de esporte pois tinha o corpo muito definido, sempre com roupas parecidas calça jeans e camisa, pele morena da cor do pecado, seu andar não era apressado, parecia que flutuava pela calçada, eu sempre fui muito tímida e quietinha da minha janela esperava o moço passar, ele então cumprindo o seu ritual diário passava e eu ia-me embora sempre sonhando com aquele que eu intitulada ser o meu príncipe encantado.
Acontece que o tempo foi passando dias,semanas, messes, eu em minha janela, passei a sonhar demais, e aqueles breves instantes já não eram o suficientes, já não fazia nada, só pensava em ir a janela às 15:42, e quando ele passava um suspiro eu dava, pronto acabou a minha alegria do dia agora restava-me esperar o dia seguinte.
Como percebi que passaria o resto dos meus dias a olhar meu príncipe na janela tomei uma decisão.Não poderia deixar o amor da minha vida passar em frente a mim todos os dias e ficar parada, tomei uma dose extra de coragem me arrumei toda. Às 15:42 lá estava eu linda uma princesa parada no portão esperando seu príncipe (que nessa ocasião não aparecia no cavalo branco).Para minha surpresa e meu espanto geral meu príncipe aquele dia não aparecera, fiquei horas parada no portão, desiludida, acabada, como ele poderia ter feito isso comigo logo hoje!. “Bola pra frente, amanhã é outro dia” -pensei. E foi assim que fiz, no dia seguinte me arrumei novamente e esperei no portão, mas nada do meu príncipe,me revoltei, não quis ir mais a janela, não quis mais me arrumar, parei com aquela historia de príncipe e enterrei todos aqueles sonhos para sempre.
Passaram-se 4semanas, eu até havia me esquecido da janela, encontrara prazer em outras coisas, passear com minhas amigas, cozinhar, dançar, até que aparece uma rapaz em minha porta, muito arrumado, não era tão bonito, não tinha o corpo tão atlético, mas como era simpático, primeiro se apresentou disse que seu nome era  Horacio, e queria saber se eu estava bem de saúde.
Receosa com todo aquele interesse perguntei o porque e meu espanto foi delicioso quando ele me contou “Eu trabalho no prédio de contabilidade aqui enfrente, todos os dias parava de fazer o meu serviço para lhe observar na janela, sempre achei a senhorita muito bonita principalmente quando saia no portão, posso dizer que parecia uma princesa, agora já fazem 4 semanas que não à vejo, fiquei preocupado e com todo respeito vim perguntar se está tudo bem”. Ainda meio zonza com tudo aquilo lhe informei que estava bem, mais atarefada demais, perguntei onde ele arrumara coragem para vir a porta de minha casa, sem mesmo saber quem sou, ele não respondeu com palavras me deu um lindo sorriso e num olhar tímido conseguiu me convencer de que era um bom rapaz.
Depois daquele dia saímos fomos ao cinema, e começamos a namorar.
Sempre eu olhava na janela as 15:42, mas dessa vez não era para ver o meu antigo príncipe, dessa vez era para ver o meu cavalheiro de armadura dourada (e marido) da janela do escritório.
Thaís Soares
Enviado por Thaís Soares em 15/06/2006
Código do texto: T176047
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Sobre a autora
Thaís Soares
São José dos Campos - São Paulo - Brasil, 31 anos
31 textos (2623 leituras)
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Thaís Soares