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fonte imagem: www.mercadonegro.cl/ img_secciones/MN09/52.jpg 


O Homem Sem Nome

Deitado no banco da praça com uma garrafa de cerveja vazia do lado, lá está um homem. 
Um homem que talvez nem saiba seu nome. 
Um homem sem sobrenome, que veio não sabe de onde e muito menos para onde vai. 
Um homem com as marcas no rosto traçadas e trançadas pela vida.
Um homem cujo destino vagueia como um barco à deriva.
Lá está ele, diante de meus olhos e sob a luz do sol, entregue a viagem do descanso.
Fico pensando se não é o sol o único a não lhe negar carinho.
Sua cortina é um jornal em cima de seus olhos.
Tento adivinhar se esse homem sonha e o que sonha, porque sorrir de olhos fechados.
O barulho das crianças que brincam na areia e som dos passarinhos é, para ele, cantiga de ninar.
Embaixo do banco todas as suas tralhas cuidadosamente arrumadas. Afinal, esses são seus bens.
Por um momento, invado o seu espaço para observar mais de perto suas mãos calejadas jogadas sobre o peito.
Uma mão bonita, de dedos finos e compridos que me fazem refletir sobre se este homem, vestido em mulambos, fétido, mas real, tivesse tido a oportunidade de ser músico, efetivamente penso num pianista.
Meus pensamentos o remetem para outros lugares, onde vestido de smoking ele desliza sobre um piano os seus dedos bem feitos uma música de Bach.
Posso ouvir a música, posso ouvir os aplausos.E em meio a essa euforia, posso arrancar sorrisos desse rosto sem nome.
Sou interrompida por ele.
- A senhora tem horas?
- Não senhor, mas já passam das onze.
- Perdi a hora – ele me diz.
E eu meio que sem entender:
- Hora de que, amigo.
- Hora de ir embora. Se me pegam aqui, não posso mais voltar.
Eu fico olhando para aquele homem que se ajeita e se prepara para caminhar no seu dia.
Ele se despede.
E eu fico olhando para ele imaginando que, talvez, seja uma personagem de contos de fadas e está ali só para me confundir. 
Rosa Berg


Para pensar:Y sólo si nos damos un tiempo de mirar hacia otro lado, rompiendo nuestra rutina de ir y venir, podremos empezar a vivir y descubrir que hay un paisaje que nos rodea, una flor que crece, un animal que nos mira, una persona que nos ofrece una sonrisa. (fonte:www.geocities.com/Yosemite/7917/viviendo)

Fala de um Mestre:
"No mundo dos sonhos, os cegos enxergam as cores, os surdos ouvem a melodia, os abatidos refrigeram a alma " Vicente Benedicto









Rosa Berg
Enviado por Rosa Berg em 16/06/2006
Reeditado em 25/06/2006
Código do texto: T176801

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Sobre a autora
Rosa Berg
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil
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2 e-livros (2212 leituras)
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