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PARABÉNS SÃO DOMINGOS DAS TORRES PELOS SEUS 128 ANOS DE “HISTÓRIA”!!

“Ué! Torres tem História?” Acredito que essa é uma pergunta latente na cabeça de quem lê o título acima. Para uma grande parcela da comunidade torrense, como também para os visitantes e turistas, nossa história se resume as falésias basálticas à beira-mar e a igreja  São Domingos das Torres. Quando a cidade de Torres comemora 128 anos de emancipação político- administrativa, ponho-me a refletir a riqueza e a importância que o sítio das Torres, (como era conhecida a região) teve para a região sul e para o Brasil. Imagine-se atravessando um rio sem ter uma ponte, ou seguir mata adentro sem ter uma picada ou uma trilha a lhe conduzir... Ficaria bastante difícil e até impossível! Nossa região servia como um estreito de ligação do Brasil com seu extremo sul, pelas condições geográficas favoráveis que vemos até hoje. Aqui nesse mesmo solo que pisamos também viveram comunidades primitivas de aproximadamente 5 mil anos atrás, que tinham como peculiaridade construir suas habitações sobre seus resíduos alimentares, os chamados Sambaquis. No período colonial (apartir de 1500) também transitaram e viveram índios guaranis como os cariós ou carijós, que tiveram como destino o extermínio. Posteriormente, passaram por aqui jesuítas lusitanos e bandeirantes (séc.XVII), tropeiros e expedições lagunistas (séc.XVIII) e destacamentos militares (séc.XVIII e XIX). O que me deixa perplexo é que nossa história não é diferente da história do Brasil, e que não temos como saber e nem perceber os acontecimentos históricos que aqui ocorreram, a não ser por produções bibliográficas, como a vasta produção historiográfica tradicional do professor Ruy Ruben Ruschel. Porque não temos uma sinalização histórica nas ruas, nas praças  e nos logradouros? Porque não temos um museu, um arquivo ou um departamento de história responsável pelo armazenamento de um acervo histórico disponível a toda comunidade? Vivemos em uma região riquíssima e mal explorada!
A emancipação de Torres que é comemorado à 21 de maio de 1878, não foi a única. Torres teve um duplo nascimento. Esta é mais uma peculiaridade desta terra maravilhosa! O final do século XIX, foi um período bastante conturbado para essa região. Para entendermos melhor, temos que ter uma visão maior do que o alcance do nosso nariz. A Província de São Pedro do Rio Grande do Sul foi dividida, em1809 em quatro grandes municípios: Rio Grande, Rio Pardo, Porto Alegre e Santo Antônio da Patrulha(este último município abrangia todo o litoral norte). De Santo Antônio da Patrulha, surgiu Conceição do Arroio (hoje Osório) que se emancipou em 1858. Só em 1878, surgiu o município de Torres, que passou a abranger toda essa área que conhecemos de Osório até o Rio Mampituba, inclusive o interior. Mas o interessante dessa história é que em 1887, o município de Torres foi extinto e reanexado ao município de Conceição do Arroio (Osório), sendo recriado o município só em 23-01-1890, no ano seguinte a Proclamação da República. Pelas minhas contas, estaríamos comemorando 116 anos de emancipação municipal. Mas o que se instaurou foi a comemoração de 1878, quando o Brasil ainda era regido pelo Império. Portanto, Torres tem uma comemoração monárquica de aniversário em plena república. Neste mesmo contexto aparecem as acirradas campanhas abolicionistas na região desde 1884, antecipando em 4 anos a lei áurea da princesa Isabel que foi em 13-05-1888. As divergências entre o partido Liberal e o partido Conservador foram uma das causas da reanexação de Torres em 1887, que usufruira de 9 anos de emancipação. Para provar que a região limítrofe de Torres sempre foi um catalisador de promessas e projetos é que nesse mesmo período surge a idéia de um porto de grandes proporções aqui em nossas praias, como aquele que existe hoje em Rio Grande. Este duplo nascimento de Torres ainda é uma das grandes incógnitas de nossa história.
A História de Torres é muito mais interessante do que parece ser não somos compostos somente de “bicuíras”, marisqueiros e pescadores que espera os meses de verão para trabalhar. Somos um mosaico de etnias encurraladas numa terra usurpada, esperando um “Messias Econômico” que nos dê mais oportunidades de desenvolvimento intelectual e consequentemente, melhor qualidade de vida.
Sugiro este espaço como um revigorante histórico e reflexivo, sobre nossas ações no meio em que estamos inseridos. Muitas e muitas histórias virão, com o objetivo de socializar informações com todos os interessados em modificar sua realidade. O povo que não sabe de onde vêm, não sabe para onde vai... Refletir o passado, mudar o presente e construir um futuro melhor! Essa é a  proposta de um louco assumido, que sabe do valor do sentimento coletivo de uma comunidade, História e Cultura são os pilares de uma sociedade. Nas palavras de Rosa Luxemburgo, resumo meu pensamento : “Quem não se movimenta, não sente as amarras que o prendem.”
Por falar nisso, eu faço História e você?

*texto publicado no www.rslitoral.com.br
Leonardo Gedeon
Enviado por Leonardo Gedeon em 17/06/2006
Código do texto: T177153
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Leonardo Gedeon
Torres - Rio Grande do Sul - Brasil, 34 anos
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Leonardo Gedeon