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TORRES NO LIMITE

Dificilmente,quando menciona-se o nome “Torres” ,não venha na memória a região limítrofe dos Estados do RS e SC, que por sua vez, separam-se por uma generosa corrente d”água que chamamos de Rio Mampituba, essencial para a cidade de Torres (RS) e a comunidade pesqueira do município catarinense do Passo de Torres (SC). Quem nunca escutou histórias sobre uma farta pescaria, um passeio de barco, boas ondas para a prática do surf, ou simplesmente, uma bela paisagem ao pôr do sol às margens do Mampituba? Antigamente era comum banhar-se em suas águas  e desfrutar bons momentos de relacionamento com a mais pura natureza, tendo certeza que o ambiente estava preservado e suas águas apresentavam condições apropriadas para o banho. A especulação imobiliária, a expansão urbana desordenada, a produção arrozeira e seus produtos químicos, o crescimento demográfico sem infra- estrutura adequada , são fatores de degradação ambiental, transformando o rio Mampituba (principalmente nos meses de verão) num imenso depósito orgânico da cidade de Torres e seus arredores.

Além das abruptas formações rochosas à beira-mar que caracterizam o “sítio das Torres”,o Mampituba também era uma referência topográfica ( e um desafio) para aqueles que passavam pela região; como por exemplo, os tropeiros por via terrestre ou navegadores como o padre Diogo Soares, cartógrafo que compôs o primeiro mapa que aparece o topônimo “Torres”, Rio Ibopetuba (mampituba) e ponta da Itapeba (itapeva), em 1738. Segundo a historiografia local, Mampituba  deriva da língua guarani que significaria “grande quantidade de boipebas, que seria a cobra- chata ou falsa- jararaca, abundante na região, conhecida como Mboipetiba. Na passagem de Sebastião Caboto (1527 e 1530), que estava reconhecendo a costa litorânea meridional do Brasil à serviço da corte espanhola ,batizou a área de Rio cerrado (fechado) e Rio baxo, devido a rasa foz do rio, que de acordo com os ventos deslocava seu percurso. De acordo com as frotas que passavam pela costa atlântica fazendo seu reconhecimento, ia- se alterando o nome. Como, por exemplo, Rio Martim Afonso de Souza, associado à frota desse capitão, que teria passado entre os anos de 1531-32  homenageando o ilustre lusitano, dando –lhe o nome ao que seria o rio Mampituba. Ficou conhecido com seu nome português até aproximadamente 1600 e constava em cerca de 25 obras cartográficas.

Mampituba,  entre a comunidade local, é conhecido “como rio cheio de curvas”. E,realmente é um nome justo para a sinuosa linha que o rio faz indo para o oeste. No final do período imperial (1884) e nas primeiras décadas de governo republicano, discutia-se acirradamente qual seria a divisa exata entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Era certo afirmar que era o rio Mampituba, porém navegando em direção o interior (oeste), encontra-se uma bifurcação que é a continuação do Mampituba, o rio Sertão; e perpendicularmente existe o rio Verde. A princípio a divisa era a continuação do rio Sertão, mas a disputa territorial, a partir de 1884 com a área que pertencia a Araranguá (SC), terminou com a divisa sendo remarcada na continuação do rio Verde. Numa estatística realizada pelo republicano Cel. João Pacheco de Freitas, intendente municipal, em 1903, constava sérias observações a respeito do desvio territorial que sofreu a região. Esta remarcação territorial devia-se a uma período que Santa Catarina passava por uma briga ferrenha em suas “terras contestadas”, no oeste de seu território e estava legitimando suas fronteiras.

Nos primeiros vôos da Viação Aérea do Rio Grande do Sul, a VARIG, que possuía hidroaviões de dois motores, em 1929 colidiu num fio de telégrafo que passava sobre o Mampituba e caiu no meio do próprio rio. O rio mampituba que nós vemos hoje , nem sempre foi assim, com os molhes (a barra) que só foi construído no período militar (1973), com a inauguração celebrada com a visita de figuras no calibre do presidente Costa e Silva.

Se o Rio Mampituba falasse, contaria mais um monte de histórias! E nós sabendo de sua História, o respeitaríamos muito mais...
Os homens passam e os elementos que compõem a diversidade natural perpetuam. Senão começarmos a preservar a região que vivemos, como o oceano, as lagoas e rios, dunas e todo meio ambiente onde estamos inseridos, continuaremos a arriscar a vida das gerações futuras e viveremos sobre o ponto de interrogação, que caracteriza a dúvida.
Cuidemos do nosso maior patrimônio ou Torres estará no limite!!


* texto publicado no www.rslitoral.com.br
Leonardo Gedeon
Enviado por Leonardo Gedeon em 17/06/2006
Reeditado em 17/06/2006
Código do texto: T177155
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Leonardo Gedeon
Torres - Rio Grande do Sul - Brasil, 34 anos
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Leonardo Gedeon