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O Aposento da Cuíca




                 Quem esperava por essa? Ninguém!

                 Na tv, o bem-falante e simpático repórter, aquele das boas e más notícias do nosso dia-a-dia; o mesmo que mediou o debate dos presidenciáveis, dava ao país uma das mais chocantes notícias que se pode ouvir, assim dizendo:

                “A partir desse carnaval, não teremos mais a CUICA. Ela está aposentada”.

                Eu, particularmente, tive o maior susto do mundo. Pulei do sofá e, aos gritos, alarmei pra todos de casa:
 
                – Acabaram com a CUÍCA, acabaram com a CUÍCA – gritei  bem alto para que todos ouvissem.
         
                Foi aquele corre-corre pra frente da tv e alguém me indagou:

                – Mas, quem diabo é essa tal de CUÍCA? Seria um delinqüente?

                Fiquei sem ação: estático e boquiaberto.

               – Não, isso não é possível! Maldita notícia! Eles não podem aposentar esta coita, assim, tão cedo. Ela é uma injustiçada. Nasceu outro dia. Por essa eu não esperava. Fizeram sacanagem com esta infeliz. Eles têem que aposentar os velhos, os cansados – saí esbravejando e socando as paredes.

               – Por favor, deixem-na em paz. – Resmunguei com ódio, olhando pra tv.

               Abri bem os meus ouvidos para não ter dúvida daquela triste notícia.

               – Vocês ouviram, vocês ouviram? Alguém vai ter que pagar por isso – falei indignado, rangendo os dentes. – Tenho certeza que depois de ouvirem do simpático repórter o seu indispensável “boa noite”, nenhum brasileiro vai ter sono. Com uma notícia dessa natureza, ninguém dorme em paz – falei apontando pro repórter.

               "Ah! Pobre CUÍCA. Porque fizeram isso contigo? Logo você que é tão alegre e faz o carnaval feliz! Não!Não acredito que vá sentir-se bem como aposentada. Não posso imaginá-la de chuteira pendurada. Chega de injustiça, chega! Como é que você vai se sustentar, como, como? Eles ficam dizendo que a previdência está na pendura. – Será que você tem pecúlio? Aposentado aqui vive na fome dois, na fome um e até mesmo na fome zero".

              Depois desse monólogo, desliguei o receptor .

              Morro de pena da CUÍCA – falei pra mim mesmo.
José Pedreira da Cruz
Enviado por José Pedreira da Cruz em 17/06/2006
Código do texto: T177426
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Sobre o autor
José Pedreira da Cruz
São Paulo - São Paulo - Brasil
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José Pedreira da Cruz