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                 Simão, o pescador

        Neste junho, não escreverei sobre João, o Precursor. 
        Minha crônica será sobre Pedro, o pescador. Portanto, uma crônica petrina e não uma crônica joanina.

          Ao contrário de João Batista, que é festejado com rojões e muita música, Simão Pedro é louvado com menos foguetório, em que pese seu indiscutível prestígio junto ao Filho do Homem. 
          Os que acreditam que o céu existe, garantem que só se entra lá, com a sua permissão.  São Pedro, por causa disso, deveria ser mais paparicado.

          Hoje, assim que pulei da cama - o dia vinha raiando -, abri a janela do meu quarto que dá pro mar, e me lembrei de Simão Pedro, cuja festa se aproxima. 
         Aproveitei a boa lembrança, e lhe fiz alguns pedidos. Por exemplo: que continue protegendo nossas viuvinhas; providenciando para que nada lhes falte, inclusive, as boas recordações do falecido...

          Manhã chuvosa. O nevoeiro, ondas revoltas, e muito vento não teriam permitido que canoas e saveiros saíssem para pescar, foi o que deduzi. O mar da Pituba estava cinzento e sozinho.

         Liguei meu radinho de pilha. E ouvi que uma comissão de pescadores havia se reunido para organizar a festa do seu padroeiro. O festejo termina com uma belíssima procissão, enchendo as ruas e a orla de Itapuã de flores e belos cantos.

          E aqui aproveito para lembrar o acarajé da Cira, um dos melhores de Salvador. Pode ser comprado no tabuleiro da simpática baiana armado no coração da festa; nas proximidades da igrejinha de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã. É uma boa saboreá-lo, entre um bendito e um pagode.

          PEDRO, volto a afirmar, devia ser um santo mais badalado. Na Bíblia, é o discípulo mais citado; e sua biografia traz detalhes que provocam polêmica.

          Não importa que ele tenha negado conhecer seu amigo Jesus não uma, mas três vezes. Apesar dessa falha, o Rabino não hesitou em confiar-lhe o comando do seu Barco: - "Tu es Petrus, et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam." E sem pestanejar, entregou-lhe a chave do céu: - Et tibi dabo claves regni coelorum."

          Lider dos apóstolos, mas, nem por isso, Pedro deixou de ser investigado pelos estudiosos dos Livros Sagrados. Desses estudos surgirtam afirmações que deixam o leigo intrigado.

           Lembro-me de algumas: que Pedro não teria sido bispo de Roma, e nem papa (o primeiro), como assegura a Igreja Católica.
          Que fora casado. Mas o nome de sua mulher a Bíblia esqueceu!

          Os Evangelistas falam de sua sogra. 
           Por último, não se descobriu quando e onde ele nasceu; nem quando e onde morreu. Sabe-se, apenas, que fora crucificado de cabeça para baixo.

          Estive três vezes em Roma.  Dediquei ao Vaticano boa parte do tempo que permaneci na Urbe. 
         No interior da Basílica, perguntei: será que Simão, o humilde pescador de Genesaré, gostaria de rezar missa mergulhado em tanto ouro? afogado em tanto mármore? Ou o Pescador preferia falar sobre Jesus, de sandálias, e do alto de um tamborete rústico, num lugar qualquer da praça que leva o seu nome?

         Junto ao seu túmulo, outra indagação: será que o apóstolo pescador não se sentiria mais à vontade numa tumba singela? Como a de Francisco, em Assis, onde fiz demorada oração.

          Uma estátua de São Pedro, em bronze, a gente encontra no centro da Basílica: uma obra fantástica do genial Bernini. 
          Da última vez que estive na Santa Sé, cumpri o ritual: aproximei-me da estátua, e, com a mão direita, toquei-lhe o dedão do pé, já corroído pelas repetidas apalpadelas dos milhares de turistas que a procuram.

          Certo de que aquela seria minha última visita ao Vaticano, diante da bela estátua, pedi a Pedro que não criasse nenhum problema ao flagrar-me, um dia, batendo nas portas do céu...

          Saí
do Vaticano convencido de que serei atendido pelo Pescador de Homens. Olhando esta manhã para o mar sem saveiros, sem canoas e sem pescadores, renovei o meu pedido...
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 19/06/2006
Reeditado em 02/02/2008
Código do texto: T178551
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Sobre o autor
Felipe Jucá
Salvador - Bahia - Brasil
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Felipe Jucá

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