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(imagem de Antonio Amen / www.thousandimages.com)

CÓPIAS X ORIGINAIS

“Todos nós nascemos originais e morremos cópias.” (Jung)

          Todo cuidado é pouco quando damos nomes às coisas e ao que fazemos. As palavras que inventamos ou (mal) escolhemos para nomear o que fazemos carregam um peso que depois pode simplesmente nos incapacitar para mudar o que quer que seja, por pior que esteja. Amamos e amamos mal, e aí damos o nome de equívoco. Fazemos loucuras em nome de amor, e concluímos, por desencargo de consciência, que cometemos um erro. O risco de não sabermos mais como amar ou de não permitirmos mais o amor em nossas vidas aumenta. O risco de perdermos toda a coragem para cometer loucuras, tantas vezes necessárias para nos sabermos vivos, é quase total. 

          Cuidado, muito cuidado. Um nome, uma simples palavra e sua vida trava. Você tentou, apostou e deu errado. Você ficou triste porque qualquer um com um coração humano ficaria. E as pessoas logo dão a isso o nome de arrependimento. Você entregou seu lado mais infantil, seu lado criança, mais doce e mais terno. Alguém logo dirá: babaquice. Com essas, você começa a ter medo de arriscar e começa achar temerária a ternura e a exposição de si mesmo. E nunca mais saberá olhar com os olhos certos as belezas incertas, disponíveis apenas aos olhos atentos e aos corações despertos. 

          Os nomes que assumimos, na maioria criados pelos demais e prontamente assumidos por nossa incompetência emocional são um fardo pesado. E não há costas suficientes em você para tanto peso. Se você frustra as expectativas de alguém a seu respeito, fique certo: rapidamente assumirá o nome que já escolheram em seu lugar para isso - culpa. E este pesa tanto que você pode cair no erro de se condenar a uma solidão compulsória, que passa a chamar de independência, para convencer-se de que é o melhor a ser feito,  quando o nome correto provavelmente seria medo

          Cuidado com os nomes. Um dia você pode concluir que nada vale a pena. Nem você mesmo, que a estas alturas já não se reconhecerá mais. Sequer saberá qual é o SEU nome.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 21/06/2006
Código do texto: T179687

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai