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ESTAMOS NA MATURIDADE... e daí?

Maturidade, não é ser idoso, simplesmente, é ter maturidade em suas atitudes...
Osculos e amplexos,
Marcial

ESTAMOS NA  MATURIDADE... E DAÍ?
Marcial Salaverry

O que pode ser chamado de maturidade? A tão indefinida maturidade, apenas é atingida quando estamos maduros, o que sem dúvida, é uma brilhante dedução. Contudo, é dificil definir quando estamos maduros.
Na verdade, é quando começamos a agir movidos pela ponderação, mais do que pelo impulso.
Li em algum lugar algo que me foi passado por meu amigo L'Inconnu:
"...Maturidade é a arte de viver em paz com aquilo que não podemos modificar..."
Uma grande verdade, pois as coisas que realmente não podem ser modificadas, devem ser aceitas, desde que realmente não sejam  "modificáveis".
Sempre é importante saber observar certos limites que nos são impostos, seja pela idade, seja pelas chamadas convenções sociais, seja por algo muito sério, chamado de “lei das probabilidades”. Devemos saber mensurar nossas possibilidades, para analisar até onde podemos chegar, pois ultrapassar certos limites, pode ser estremamente perigoso, seja para a saúde, seja por nossa segurança pessoal.
Quando somos jovens, a tendência é termos idéias de "reformar o mundo".  Contudo, o ideal é deixá-lo como ele deveria ser (ao menos na nossa concepção).
Acontece que nem sempre o que achamos que é, é aquilo que deve ser.  Sempre existem duas ou mais versões para os fatos, e a minha verdade, nem sempre é a sua, o que sempre poderá provocar uma  polêmica.
Com a passagem dos anos, a maturidade (fica bem mais bonito do que velhice), nos faz pensar duas vezes antes de tentar modificar algo.  Ao invés de dizer "assim fica melhor", nos perguntamos primeiramente se é possível modificar a coisa, depois, perguntamos se realmente vale a pena tentar a modificação, e mais ainda, se nossa idéia realmente é exequível.
Isso se chama ponderação... Essa atitude não é covarde, muito pelo contrário, é muito sensata, pois devemos sempre atirar no alvo certo.  E o que nos permite enxergar e acertar nesse alvo é exatamente a experiência adquirida com o tempo.
Meu pai costumava sempre repetir um velho provérbio (já naquela época era velho), que diz: o diabo sabe por diabo, mas mais sabe por velho.  Sempre que ouvia isso, eu fazia um muxoxo de pouco caso, pensando: "ele fala isso, só porque já tá cansado".  Aliás, todos os jovens sempre são refratários às opiniões dos mais velhos, considerando-os ultrapassados. Sempre costumam dizer que nossa experiência não serve para eles, e que eles também tem o direito de errar.
Se seus filhos também forem assim, não se incomodem,  pois quando eles chegarem à maturidade vão chegar à mesma conclusão que eu cheguei, e vão dizer "e não é que ele tinha razão"... E aí, quantas cabeçadas evitáveis, quantas besteiras cometidas, que poderiam ter sido evitadas, se tivessemos usado o tão falado "BOM SENSO".
Mas é essa a lei da vida, e é justamente nessas besteiras que se forja a experiência para  a Maturidade. É esse o caminho.  Continuem tentando reformar o mundo. Continuem dando suas cabeçadas. Continuem lutando.  Continuem forjando seu futuro.  Assim, chegarão à maturidade podendo olhar para trás e dizer:  bem... pelo menos tentei.
Agora vou tratar de viver e deixar o mundo como ele está.  Os outros que estão chegando que façam sua parte...
Podemos ainda chegar a certas conclusões interessantes sobre como podemos definir o que vem a ser exatamente a tão decantada maturidade, que é o maior desejo de todos os jovens. Enquanto para nós nos bastaria ter a experiência de hoje, mas com a vitalidade dos 20 anos...(não seria má idéia...).
Podemos dizer que atingimos a Maturidade, quando conseguimos resolver divergências sem violências, sem represálias, sabendo manter a serenidade, sabendo ter paciência para conseguir algum objetivo, mesmo que tenhamos de abrir mão de algo imediato. Também quando conseguimos enfrentar fatos desagradáveis e as decepções da vida sem nos irritarmos,  encarando-os como coisas naturais às quais todos estamos sujeitos.
Principalmente, quando adquirimos a capacidade de reconhecer nossos erros. Aí está o ponto crítico, pois  não é fácil reconhecer que erramos... A tendência natural é sempre encontrar culpados para nossas mancadas. A culpa sempre é do outro motorista.
Maturidade é, principalmente, saber recuar, mesmo achando que estamos certos, sabendo ver que não é hora de discussão, fazendo um recuo estratégico, até tudo se acalmar.
Para provar que já estou no ponto ideal de maturidade, só me resta encerrar a discussão, desejando a que todos tenham UM LINDO DIA!
 
Marcial Salaverry
Enviado por Marcial Salaverry em 27/06/2006
Código do texto: T183126
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Marcial Salaverry
Santos - São Paulo - Brasil, 77 anos
19843 textos (1961680 leituras)
3 áudios (855 audições)
6 e-livros (2134 leituras)
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Marcial Salaverry