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Vem ver o meu país de marinheiros!...

   
    Nasci e vivi a meninice e a adolescência em Viana do Alentejo, uma vila de três mil habitantes, sede de munícipio, ao qual pertencem as vilas de Alcáçovas e Aguiar. Como dizia uma canção muito em voga nesse tempo, situando as populações das povoações rurais de Portugal, aqui todos são primos e primas. Pois é, naquele tempo, o mundo era pequeno!
    O Poder Político da época afirmava: Portugal é um País Rural !
    Quem conhecesse minimamente a geografia física do país, sabia que o Poder Político mentia. O país arrastava-se numa agricultura de subsistência, resignado. Recordo-me de que uns anos depois do final da II Grande Guerra, cerca de 1950, um quilograma de trigo colhido em Portugal era vendido ao público por três escudos e sessenta centavos e que se dizia que o Canadá colocaria trigo em Portugal por quarenta centavos cada quilograma.
    Para situar os preços que indico, esclareço que um dólar equivalia a mais ou menos vinte e cinco escudos.
    É fácil concluir que não havia interesse do Poder Político em libertar o País da miséria, do analfabetismo, da palavra de ordem do fascismo imperante: Tudo pela Nação/ Nada contra a Nação!
    Um pouco mais tarde, no início da década de sessenta, quando os povos das ex-colónias se decidiram pela sua emancipação, recorrendo à luta armada, o Poder Político enfrentou o mundo hostil (leia-se também ONU) com estoutra palavra de ordem: Estamos orgulhosamente sós!
    Nesta mesma época, um incidente ensombrou as relações diplomáticas com o Brasil. Era presidente Jânio Quadros. O transatlântico português Santa Maria foi tomado e o chefe da rebelião, o Capitão Henrique Galvão, alterou o nome do navio para Santa Liberdade e ordenou ao comandante que rumasse à costa americana. Após negociações, esta acção, destinada a alertar o mundo, terminou com o Santa Maria aportando ao Recife. Os insurrectos ficaram no Brasil; o Santa Maria regressou a Portugal são e salvo, como é adequado dizer-se nestas circunstâncias.
    Na esmagadora maioria das povoações havia apenas o ensino primário elementar, correspondente a quatro anos de escolaridade. O patamar de ensino imediato eram as Escolas Comerciais e Industriais e o Liceu. Apenas as capitais de Distrito dispunham deste ensino. Havia ensino  privado, mas quem poderia pagar? Havia três Universidades: Lisboa, Porto e Coimbra.
    Enfim, e socorrendo-me de Luís Vaz de Camões, aqui fica uma pálida ideia do que era  a  ditosa pátria, minha amada!
 
José-Augusto de Carvalho
4 de Junho de 2006.
Viana do Alentejo*Évora*Portugal
José Augusto de Carvalho
Enviado por José Augusto de Carvalho em 28/06/2006
Código do texto: T183613
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Sobre o autor
José Augusto de Carvalho
Portugal, 79 anos
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José Augusto de Carvalho