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Porque complicamos tanto?


É simplesmente simples a vida. Não sei porque a complicam tanto. Mesmo eu. Na verdade são horas, minutos, dias em que você vai vivendo cada um como se fosse único. Sem olhar os ponteiros do relógio, o calendário de mesa, a maré dos sentimentos ou o tempo de chuva ou de sol. Viver cada dia, cada momento de forma especial. Com muita simplicidade.

Não é preciso muito para ser feliz! Convivo com pessoas que buscaram a felicidade em tantas coisas e ainda não conseguiram encontrar. Estão desesperançados. Tristes. Acabrunhados. Almejando alcançar um céu que não existe em alguma coisa que se pode tomar, pegar ou colocar em uma parte da casa para se olhar de vez em quando.

Lembrei-me de uma família que visitava em minha longínqua juventude. Era muito pobre. Paupérrima mesmo, para os padrões que existem por aí.

Pai, mãe, cinco filhos. Moravam numa casinha de chão batido. Talvez uns três cômodos. Nem sei. Nunca conheci a casa toda. Ficava sempre na cozinha que era o lugar preferido da família. A cozinha, era na verdade um “puxado”, uma meia água de telhado de barro, com fechado de madeira, encontada ao lado do resto da casa.

Lá faziam fogo de chão. Esquentavam água para tomar o quente, o chimarrão. As paredes de madeira, cheias de largas frestas, eram pretas da fumaça do fogo. Sentávamos todos ao redor daquele fogo de chão, tomando mate, às vezes chupando bergamotas, comendo pés-de-moleque, saboreando gostosas pipocas ou milho-verde na espiga, cozido com sal, ainda fumegante e envolvido na palha.

E ficávamos lá, encantados, ouvindo as histórias que eles, os "velhos", os vividos, contavam de sua família, seus antepassados. Histórias de bravas conquistas e perdas inestímáveis. Podíamos "sentir" o desenrolar de cada tempo vivido e contado por eles.

No inverno assavam naquele fogo de chão, batatas-doce. Quantas vezes queimei as mãos ao comer batata-doce assada, muito quente. Falávamos e ríamos muito. O tempo passava tão rápido que nem percebíamos. Era tão bom. Tão bom que lá já bate a tal da saudade outra vez.

Eles eram felizes. Mesmo tendo tão pouco. Era uma família feliz.

Com o tempo de convivência, descobri que faziam isso toda noite depois da lida diária na terra e com os animais. Era como os serrões de varanda que minha família fazia. Depois de muito chimarrão e alma lavada de alegria, todos da família iam juntos, a pé, com lanternas na mão, me levar para casa.

Saia de lá com os cabelos cheirando fumaça, mas com o espírito radiante e os olhos brilhantes de felicidade por ter experimentado um momento bem especial, na vida deles e na minha.

Sempre desejei isso para mim. Ser feliz assim. Simplesmente feliz. Dar valor a essas pequenas coisas. Estar junto. Rir junto. Falar de tudo que é coisa. Falar de nada. Ficar em silêncio contemplando a chama da vida que queima tremulando e trazendo paz, alegria e alento para nossos olhos.

Às vezes, ainda quero ter uma casinha de madeira, com frestas na parede esfumaçada. E um fogo de chão para assar batata-doce, cozinhar milho-verde na espiga, esquentar na chaleira de ferro a água para o chimarrão e só jogar conversa fora, falar sobre a vida, sobre nada e sobre tudo.

Quem sabe não é essa a minha e a tua eterna busca?

Ser feliz! Eis a fórmula da felicidade. Simplicidade!

Simplesmente simples. É tão simples que a gente até complica! Porque complicamos tanto?
Maria
Enviado por Maria em 28/06/2006
Reeditado em 28/06/2006
Código do texto: T183730
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Sobre a autora
Maria
Blumenau - Santa Catarina - Brasil
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Maria

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