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Relação bi-cultural

Relacionamento bi-cultural.

Estava lendo as opiniões dadas pelas mulheres brasileiras em uma comunidade de brasileiros vivendo no exterior. Vi que a grande maioria é feliz, ou se diz feliz com seus parceiros estrangeiros. Tenho certeza que algumas apenas falaram da boca prá fora, externando na verdade um desejo e não uma realidade, mas isso é outro tema.

A vida a dois é muito complexa e eu acredito que essa complexidade aumente diante de um embate cultural. A relações exteriores são uma ciência e palavras mau interpretadas podem causar danos irreparaveis em qualquer tipo de relação. Seja ela entre dois países ou dois amantes.

Me lembro da época em que fui casado com uma brasileira (uma pessoa muito especial que me ensinou a amadurecer), quando nos desentendiamos ela me dizia. “Nós falamos o mesmo idioma e muitas vezes não nos entendemos, como será entre os casais bi-culturais?”. Aquilo me deixava intrigado e me fazia refletir sobre muitas coisas. Eu pensava o quanto ainda havia de melhorar e amadurecer para poder me comunicar e compreender os desejos e necessidades da minha esposa. E também no quanto deveria ser difícil a vida dos casais formados por pessoas de diferente nacionalidade e formação sócio-cultural.

O que pude observar nas declarações dadas pelas brasileiras em geral, é o que eu já observei e observo nos brasileiros há 15 anos. O machismo, a possessividade* (não sei se possessividade existe, mas quer dizer exatamente isso), a infidelidade, a aversão à relações duradouras e a imaturidade dos homens no Brasil são o principal motivo que leva brasileiras a se relacionar com gringos.

Isso é em parte culpa da sociedade brasileira e das mulheres, pois algumas gostam de ser esse objeto dos desejos fazendo de tudo para entrar no estereotipo da mulher gostosa, sarada e desencanada, (que “dá” prá todo mundo prá mostrar que é segura de si, não porque quer, mas sim porque acha que deva ser assim).

A outra parcela de culpa vem da estrutura familiar onde o homen é paparicado até 1000 anos de idade. Mora debaixo da saia da mamãe e usa o carro do papai, vai para a noite brigar e bater, exige fidelidade da namorada mas pega todas as cachorras, e cachorras são todas as mulhers tirando a namorada dele (até o fim do namoro) a irmã e a mãe. E quando o namoro termina ainda tem a petulância de controlar a vida da ex, ameaçando a mesma assim como os atuais namorados. Não estou supondo, estou relatando o que observo há 15 anos.

Esses aspectos citados acima, são o principal motivo pelo qual brasileiras se sintam tão bem com seus namorados gringos. Mas no fundo no fundo, todas elas sentem falta do diálogo sem “traduções”, do sexo caseiro, da compreensão e da identificação cultural que tem apenas com os brasileiros. Talvez isso explique o fato de tantas brasileiras procurarem um amante conterrâneo aqui na Europa, para justamente suprir essa lacuna que o parceiro gringo não consegue preencher. Mais uma vez estou relatando o que vi e vivenciei durante anos, não é fantasia é realidade.

Claro que há exceções, mas estamos falando da maioria certo? Certo. Mas e os homens brasileiros? Como se sentem diante de uma união bi-cultural? Eu não me sinto bem, sinto falta da identificação, do idioma, da marquinha de biquine, dos banhos, da sensualidade, do carinho, dos planos em comum. A mulher européia não é sensual, não tem sal nem açúcar, não entende as coisas da minha terra natal e muitas vezes não faz questão de entender. Isso cria em mim um certo desinteresse por elas.
Acredito que as mulheres brasileiras tenham mais facilidade em se relacionar com estrangeiros do que nós homens.  Mas isso não é porque os europeus sejam melhores parceiros. Isso se dá somente por causa do machismo e imaturidade do brasileiro. Será que eles irão mudar um dia?

Ullisses Salles 30.06.06
Ullisses Salles
Enviado por Ullisses Salles em 30/06/2006
Código do texto: T184890
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Sobre o autor
Ullisses Salles
Suíça, 40 anos
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