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QUADRADO MENTAL



Uma nação inteira sabia que o Brasil estava no banco; uma nação inteira sabia que o quadrado não rola; o uma nação inteira sabia que essa copa era dos jovens; uma nação inteira viu um homem matar o futebol do Ronaldinho Gaúcho e, pela primeira vez, uma nação louvou os jogadores da defesa, jogando esperança neles...
Maravilha o Cafu e seus recordes, o Ronaldo e seus recordes, o Parreira e os seus recordes de coerência... Contra a França ele se superou!
Uma nação inteira sabia que o nosso único pecado chama-se comissão técnica, política da CBF e a falta de um treinador de verdade...
O maldito não nos deixou ver os garotos jogar a bola que sabem jogar. Por quê? Por quê? Por quê?
Por que os levou? Se era para ver o Cafu se arrastando atrás dos seus recordes, que ficassem em casa vendo pela televisão, seria menos humilhante...
Por que os levou? Se era para passarem raiva tendo que engolir o maldito esquema quadrado que não se desfaria nunca, que ficassem em casa: chorar na intimidade dos nossos lares ou com o nosso povo nas ruas do Brasil é menos doloroso que chorar entre campeões, de pés e mãos amarrados a um banco de ouro...
Por que, Parreira?
Quadrada é a tua mente! Quadrada e travada! Só você não sabe que um jogo de futebol dura quarenta e cinco minutos e são as pernas dos jovens que voam pelo campo...
Uma nação inteira sabe que o Brasil está cheio de homens quadrados em lugares estratégicos e que nos matam quando nos ferem com as cartas marcadas do jogo viciado e criminoso da política, das travas legais dos meandros da lei manipulada, do jogo insano do poder que permite o crime comandar a sociedade. Renitentes, virão nas urnas com seus asseclas vestidos de homens de bem... Veremos quantos deles estiveram no mensalão, nas ambulâncias, Banestado e tantos outros esquemas criminosos, e nós de mãos e pés amarrados ao esquema quadrado dos nossos partidos políticos podres...
Tens que ser tu mais um dos quadrados deste país? O quadrado que travou a nossa mais pura alegria?
Coerente Parreira...
Tu não escutaste os brados de uma nação inteira gritando: - Muda, Mula! Muda, Mula!
Eu acreditava que tu eras o único dos quadrados deste país que poderiam mudar, me enganei: quadrado nenhum muda.
Aliás, ouvindo o coro: mula, mula, mula, às vezes confundimos as nossas mentes e lá iremos nós, pensando que mula muda, e mula não muda não; sobrará para nós zurrar sobre os resultados das urnas, abertas depois de 15 de novembro, com a mesma cara embasbacada, que hoje olha para o nosso Banco de Reservas, olhando para os nossos três podres poderes, que se lixam para a nossa crença de que os quadrados mudam.
Chico Steffanello
Enviado por Chico Steffanello em 01/07/2006
Código do texto: T185807

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Sobre o autor
Chico Steffanello
Sinop - Mato Grosso - Brasil, 58 anos
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