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55 - AOS MESTRES COM CARINHO
                                                            De Dom Silvério à Itabira


Tem coisa na vida que se aprende. Das lições inesquecíveis: ser justo, correto, diligente. De honestidade não se fale pré-requisito constante tanto para o cidadão comum quanto ao político de carreira, ou mesmo inexperiente. Até acho graça quando em campanha, a idéia de que ser honesto é propalada aos quatro ventos como grande virtude, achando que no julgamento daquele a que lhe dará o voto esta será a que o diferencia. Não é, nem virtude especial, é obrigação! Questão de princípio!

Virtude bem característica que curto e faço questão, é a do reconhecimento. Tenho muito a agradecer. Aos mestres que tive na escola formal, a todos em especial, aqueles do dia a dia, agora sem hífen, mas de igual valor, ensinaram-me na vida reconhecer ao ser reconhecido. Se vou citar alguns, corro o risco de ser injusto, mas antes pecar por algum esquecimento do que na sua totalidade. Aos mestres com todo carinho, primeiro Deus, pai e mãe das lições de vida as primeiras.

Dom Silvério:
Das professoras do primário iniciado em Dom Silvério; pessoas e mestres se destacam alguns na escola por oficio. Ensinar.
Maria de Marilac Cotta, jovem mestra filha de família abastada, não precisava estar na sala de aula, mas fazia com carinho e competência tal, que aprender foi bem mais fácil.
Diretora Dona Glória de sobrenome difícil ‘Villamea’ algo assim, veio para substituir diretora antiga que mal conheci, se aposentou.
Dona Maria de Marilac Cotta tinha outra irmã que já lecionava, fizera fama de brava austera, trazia os moleques num cortado. Se alguém criasse nome de ser, em outra classe, desordeiro, a ameaça primeira era que para a sala de Dona Maria de Mazzarelo Cotta  seria transferido. Era por água na fervura; O moleque se aquietava, pensava “disto eu não preciso”.
 Naquela época se podia, nem que fosse por condescendência, permitir castigos, até mesmo físico como um beliscão, cara na parede no canto da sala. Certo constrangimento. Se aprontar, já sabe, seu nome vai pro prego, lugar para afixar lista daqueles que terão de se haver na reunião do semestre.
Isso se puder esperar. Existiam certos alunos que na escola seus pais, eram visitas constantes! Foi um bom inicio grupo escolar Nossa Senhora da Saúde, reconheço!
Nessa escola estudei, eu e a minha irmã por dois ou três anos no máximo.
Ainda em Dom Silvério tenho lembranças, Tantas: Na morte do pai dos pobres, Getúlio Vargas, que do povo se sentia escravo. Quanto outro fato inerente ligado à morte certamente, era difícil entender, mas fácil reconhecer.
 
Havia uma viúva que morava perto da caixa d’água nova, bem na entrada da rua que dava lá no grande cemitério (o cemitério era mesmo muito grande para os padrões normais). O filho desta senhora cujo nome não me lembro mais, certa vez e só uma com certeza, morreu, ninguém morre mais de uma vez.
Tendo o filho da Dona Nenzinha morrido em Conselheiro Lafayette dizem que atropelado e morto por uma Maria Fumaça, que não saiu dos trilhos. Lá ele foi enterrado como indigente. Só mais tarde se propôs levar o defunto em ossos para cidade natal. Foi grande consternação, a multidão acorreu ao fato como se fosse enterro em missa de corpo recente e presente. Não era. Só os ossos.
Acontece que a mãe do defunto, muito querida no bairro, era viúva eu acho. Do marido, se existia, não me lembro nem do nome. O traslado aconteceu com honras pompas e circunstâncias. Dona Nenzinha, a mãe, reconhecida lavadeira, da igreja zeladora, benzedeira de mão cheia. Desta forma, todos, ao filho faziam honras. Que ele descanse em paz, na última e definitiva morada, reconhecidamente. Dona Nenzinha muitas lições de vida.

Quando nos mudamos para Alvinópolis em passagem bem ligeira o menor dos irmãos, pirralho ainda nos cueiros era o José Ulisses que nascera lá na Rua “X” bairro da Catinga em Dom Silvério. Mais logo mudamos para uma casa maior lá no Morro do Cepilho, para nós, Cipio era voz corrente.

Itabira:
Chegamos à Itabira, em junho de 1956 vindos de Alvinópolis, muitos trecos na carroceria do caminhão Ford do senhor Vicente Lemos.
A viagem uma aventura. Dos poucos móveis uma velha cômoda de seis gavetas, dois baús, duas mesas, seis cadeiras com assento de palhinha, compradas lá na “Mobiliadora Irmãos Coura Móveis”, Um guarda-roupa com cinco portas sendo uma central com vidros na parte superior e delicada e fina cortina, belas molduras, na parte inferior gavetas, os pés tipo chippendale “designer” inspirado não para simples guarda roupas, mas para um estilo de vida “clássico”. Bancos compridos três, seis camas de solteiro, “tipo faixa azul modelo patente” uma para o casal, colchões de capim e de palha, uma bicicleta de dois quadros marca Phillips, ferramentas aos montes, muitos arreios e outras tralhas potes de cerâmica para água, gaiolas de pássaros um monte.
 
Em Itabira estudei no Grupo Escolar Major Lage aonde Dona Iá Sampaio era a diretora, aqui desde cedo aprendemos maiores lições de vida, da Itabira acolhedora, nos gestos de carinho demonstrados do início até o fim do curso primário. Trabalhavam naquela época professoras que não posso deixar de citar o nome mesmo correndo o risco de ser injusto com algumas: Dona Odete Linhares Lage a melhor pessoa que já conheci atuando como professora, gentil, educada, competente, capaz de repetir tantas vezes a matéria dada, tomar o ponto como se dizia antigamente até ter a certeza que o aluno entendera o principio o meio e o fim, para ela não havia interesse que ele repetisse a fala, o canto, como papagaio ou canário necessário o entendimento.
De outras me lembro também com atuações pertinentes, Margarida Torres nas Aulas de arte, acho que foi neste momento que tomei gosto pelos trabalhos em madeira, competente Dona Margarida.
Natércia Ferreira nas aulas de música ensinava-nos a gostar das técnicas do canto, da primeira voz e do contra canto tomar gosto pela poesia cantada de Gonçalves Dias:

Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
De Primeiros cantos (1847

Ao Hino de Itabira.
Tem belezas minha terra
Vou cantar a minha lira
A primeira é mais sublime
O seu nome é Itabira

Ela tem três altas serras
Com a Serra do Esmeril
O seu ferro é dos melhores
É o primeiro do Brasil

Minha terra tão querida
A cidade mais gentil
Mais formosa e pitoresca
Não há outra no Brasil.

Em seus campos verdejantes
Nascem flores a granel
Em seus bosques almejantes
Frutos mais doces que o mel.
Tem o poço d’Água Santa
E as fontes do Pará
Quem de suas águas bebe
Não se esquece mais de lá.

Minha terra tão querida
A cidade mais gentil
Mais formosa e pitoresca
Não há outra no Brasil

Ali canta o sabiá
Patativa e Bem-te-vi
O canário, o pintassilgo
A saudosa juriti.

Ela voa no progresso
Porque ama a instrução
E seus filhos dela esperam
Do Brasil a salvação

Minha terra tão querida
A cidade mais gentil
Mais formosa e pitoresca
Não há outra no Brasil
Categoria: Hinos de Minas Gerais
Hino do município de Itabira
Letra por Vitalina de São José
Melodia por Antônio Lisboa Ferreira
 Das professoras do primário, as melhores lições guardo-as na memória que se falha por instantes, logo me lembro adiante, com as técnicas referenciadas de estudar e guardar por associação e importância por este motivo lembro-me de vocês Mestras amigas, daquele tempo e de hoje, homenagem especial para Eneida Bragança...

Humm! Também como esquecer as merendas especiais preparadas com carinho que na hora do recreio todos corríamos atrás. Às cantineiras, Senhorinha Praxedes carinho e competência no trato, sorriso aberto, fala mansa amiga de todos por certo.
A todos de forma bem distinta, reconhecidamente obrigado!
Aos mestres com muito carinho...


Itabira-maio de 2009


http://www.recantodasletras.com.br/autores/claudionor
CLAUDIONOR PINHEIRO
Enviado por CLAUDIONOR PINHEIRO em 11/10/2009
Reeditado em 27/06/2010
Código do texto: T1860930
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Sobre o autor
CLAUDIONOR PINHEIRO
Itabira - Minas Gerais - Brasil
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