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DICIONÁRIO. O que diz o A?

Se for verdade que as palavras comuns são precárias para expressar o que realmente se passa na cachola de quem pensa com o fígado, imagine, então, quando se usam aquelas que só se descobre o significado correndo pro dicionário! Tem gente que é assim tanto para escrever como para falar. Aquibaldo, o breve,
por exemplo, (embora não seja recomendável tomá-lo como exemplo) costuma usar certos termos estranhos para impressionar os desavisados ouvintes, isso quando os tem, em suas palestras no salão paroquial da igreja de São Pancrácio. Ele, Árqui, confessa ter-se inspirado na “loquacidade” de um político nacionalmente conhecido, que há tempos espalha impropérios contra o governo passado e boa parte da humanidade, à exceção dele mesmo. É também conhecido como “Umbigo do Mundo”, pois acredita que nossa bela Terra é satélite natural da cicatriz deixada pelo corte de seu cordão umbilical. Árqui acha que já estou sendo contaminado pelo linguajar exótico do político que fala coisas que pouquíssima gente entende, com seu rebuscado trololó - como diria certo ex-ministro da Saúde – depois de sua brevíssima andança a estudar numa famosa universidade americana do norte em um de seus cursos livres abertos a quem se interesse.
As palavras simples são precárias, pois não. Lembra daquele esquisito Ministro do Trabalho, que, recém-saído de uma linha de montagem de uma indústria do ABC paulista, ficou famoso somente com uma palavra? Ele disse: “... a única pessoa imexível neste governo é o presidente Collor...” – o infeliz errou duas vezes.
E aquele outro, também ex-Ministro, como que saindo subitamente detrás de uma gôndola de um supermercado grande e forte como o Pão de Açucar, inventou a “flexibilização” dos preços – uma maluquice eufêmica, que não existe nos dicionários - só para encarecer os produtos do supermercado nosso do dia-a-dia. “Faz-me rir!” – como dizia Vasco Antonio de Souza, sogro do filho de Irineu Krause Cabral.
Nossa maravilhosa língua portuguesa tem sinônimos para tudo, ou para quase tudo, os quais podem ser usados por qualquer um que deseje se aproveitar deles para complicar a compreensão das coisas que se escreve torto por linhas retas. Então, fobei esta estória com algumas páginas da letra A do dicionário.
Depois de ablegar o abaixa-luz, já com ablepsia e avelhentado,
acurvou-se o alarife. Como se o andaço fosse acrônico, seu rosto
arrepolhado estava alvorejado, amarelo-gualdo. Agora ressupinado,
tentava dormir; mas não conseguia por causa da anipnia.
Encantado com esta bobagem que acabei de escrever, desprezando a paciência de quem me lê, mais uma vez, entretanto, Arquibaldo, o breve, estava fascinado com as possibilidades oferecidas pelas palavras a quem resolve usá-las com malícia. O A diz muito mais do que se imagina. Explorar cada uma das páginas abarrotadas de palavras de um dicionário é uma aventura fascinante; é descobrir que podemos falar ou escrever corretamente ainda que com outras palavras não
usadas de costume; e que por isso podem parecer ter outro significado.
Por isso, muito cuidado eleitores brancos, negros, mulatos, sararás, cafuzos e mamelucos de todas as muitas pobrezas e das poucas riquezas da Grande Nação Pindoba. Vem aí: eleições 2006. Uma invenção das elites para que o povo acredite que pode escolher, democraticamente, seus representantes na República. Descubra o significado das palavras em itálico e quem são os outros personagens dessa crônica, e ganhe uma urna eletrônica... inteiramente grátis.

CESAR CABRAL
Enviado por CESAR CABRAL em 02/07/2006
Código do texto: T186144
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
CESAR CABRAL
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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