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                       Menino Malucão

                                Rosa Pena


Nasceu na Vila bem depois de Noel, mas veio com o jeitinho dele. Sobre meninos e lobos, preferiu ficar com os primeiros. Até hoje não sei se era um tremendo cara-de-pau ou um santo. Fez um filho na Sandrinha moça mais nova que a filha Mariana. Quase colocou o nome do menino de Ouro Preto ou Tiradentes, pois afirmava que filho seu é patrimônio histórico. Jurou que não foi por mal, que num agüentou aquelas coxinhas passeando na cozinha logo de manhã - Foi só um dejejum, endureci que nem o Tchê, mas sem perder a ternura pela mocinha. Adorava a mulher, tanto e tanto que ela acabou perdoando e criou o Noelzinho como um neto querido, enquanto a Sandrinha partiu pra outras bandas feliz da vida. Vascaíno doente afirmava que cruz é coisa de Deus, urubu coisa do diabo. Assegurava que pra governar o Brasil só o Jerônimo Herói do Sertão, como esse morreu com o rádio, agora presidente já vinha em DVD, tecnologia de ponta e honradez que desaponta. Viciado em cigarro, cismou que os restaurantes também deveriam ter áreas por celular.
- Ligado ou desligado, pois se alguns são alérgicos a fumaça eu sou a conversa fiada na mesa ao lado. Gamado na Vera Fisher e em camarão frito, comia o segundo imaginando a primeira. No meio de um papo metido a papo cabeça, cheio de jargões do além, que não significam nada, cantava Obladi oblada e gritava saravá, sai pra lá. A nível de? Foro íntimo? Preferia o forro íntimo ao nível das calcinhas rendadas das meninas douradas, das coroas gostosas. Alforria mulheres!!!!! 

Sempre assegurou que não morreria, seria apenas restaurado:
- Afinal qualquer museu pode ser, porque não eu? 

Foi ontem, sentado num bar, olhando a bunda da moça que vem e que passa. Foi com cheiro de maresia entre uma caipirinha e um chope. Foi sem gritar help, sem dar um oi pro Divino. Ou foi só brincadeira de pique-esconde? Maaraio feridô sou rei. E como fico eu sua rainha? 

Nessa corrida da vida, não quero ficar pro fim. O último é mulher do padre! Não serei eu não, nananinanão! Qualquer dia a gente tá de novo pulando pelaí amarelinha, ouvindo o álbum branco deles, o disco azul do Braguinha, Onde o Céu Azul é Mais Azul no Rio ou em Liverpool.
Não ligo pro infinito, pois sei que você não tem celular e ainda que tivesse tava fora da área de cobertura. 

Tchau maluquinho! Por que levou a panela velha na cabeça e deixou a de pressão na minha?

para você meu amigo Nando.
Rosa Pena
Enviado por Rosa Pena em 05/07/2006
Reeditado em 26/09/2008
Código do texto: T187927
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Pena
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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