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ALTA VOLTAGEM


          Todo santo dia um exercício permanente e persistente de incoerência, inconstância e instabilidade. Todo dia um exagero de alegria contrastando com picos profundos em vales abissais de angústias, pensamentos acelerados e inúmeras perguntas, nem sempre respondidas porque é assim que a coisa funciona. Mas sempre em extremos. Muito disso ou muito daquilo. Nada disso ou nada daquilo. Sem meio termo. 

          Alguém chamaria isso de insanidade, instabilidade, falta de equilíbrio. Eu chamo isso de viver. Estar sempre caminhando sobre um fio de navalha, sobre um fio esticado em cima de um abismo que eu mesma cavo, nas extremidades. Sem pequenos bocados de coisas, sem esmolas, sem pequenos sofrimentos. Todos os meus momentos de meditaçao ou isolamento auto-imposto servem apenas como intervalos comerciais nessa grande soap opera. Um tempinho pra respirar e começa-se outra vez. 

          Um minuto no fundo, outro no topo. Já tentei a auto-preservaçao, o auto-controle, auto-todas-as-coisas. A única coisa auto que funciona é o meu piloto automático. Automaticamente subindo feito um foguete ou despencando feito uma pedra atirada do último andar. Está claro que nao sou boa companhia pra quem gosta de equilíbrio, mar tranquilo e maré mansa. 

          Talvez pouca gente ou ninguém possa concordar com isso, mas a vida é, na maior parte do tempo, um exercício de auto-flagelaçao, um rasgar-se até as entranhas pra ver o sangue correr e confirmar que é vermelho, arrancar as unhas, as penas e tudo o mais, atè sobrar a pele lacerada . Mas é, principalmente, aguardar o tempo exato para o refazimento depois da laceraçao para que o novo venha a encobrir a nova pele exposta e vulnerável, uma espécie de parto ao contrário. 

          Tentei, tentei muito. Mas minha cabeça gira em alta frequência e eu funciono em 1000 volts. 220 é muito pouco. 


PS: tenho que agregar aqui novamente a observaçao de sempre...NAO ME ENTENDO COM ESTE TECLADO ESPANHOL, PERDOEM OS ERROS. QUANDO VOLTAR AO BRASIL ARRUMO ISSO!!!!

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 05/07/2006
Reeditado em 13/07/2006
Código do texto: T188092

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai