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A Capela de São Sebastião

                                                                       
               Adilson, menino  inteligente e muito esperto, ficou todo feliz em poder estudar no pequeno arraial de Tombador, perto de Passa Tempo. Ele se esforçou na escola e  com seus doze anos não tinha tempo a perder. Estudava, ajudava os colegas, sempre prestimoso, acabando  respeitado e querido por todos.
             Um dia, sua professora, Dona Eni, ao término da aula, fez-lhe uma sugestão que era quase um pedido:
          — Adilson, você é o maior da sala e tem mais experiência. Daria conta de capinar ao redor da capelinha? Veja como o mato cresceu!  Vá aos poucos arrancando a grama, limpando tudo que  São Sebastião há de  lhe pagar!
         Os olhos de  Adilson   se arregalaram e ficaram  brilhantes. Ele pensou nos trocadinhos  que iria ganhar, pois o Sô Sebastião, filho do Sô Chiquinho, era o zelador da capela. Ele o via sempre a abrir a igrejinha para a missa aos domingos. Hora nenhuma Adilson pensou  no santo protetor que estava representado naquela imagem no altar-mor. A gente ouve mesmo o quer ouvir. E entende do jeito que quiser. De “São” para “Sô” fui um pulo só.
         Durante três dias,  suando debaixo de um sol escaldante, Adilson capinava, arrancava as ervas daninhas  e, finalmente, com a farta experiência no assunto, observada por Dona Eni, conseguiu  deixar tudo limpo! A capelinha ficou uma lindeza!
         “Agora é só esperar o Sô Sebastião me dar um dinheirinho!”, pensava Adilson. Mas nada acontecia. Passava perto dele e nem um olhar recebia. Ia ao campinho de futebol, assentava-se bem ao lado dele, para ver se o homem se mancava. Qual nada! Um mês se passou e Adilson  perdeu a paciência. Abordou a  professora  à queima-roupa:
          — Dona Eni, a senhora me disse que o Sô Sebastião iria me pagar pela capina. Eu caprichei mas ele, até hoje, não me deu nada, nem um  trocado.
         — Ó Adilson, você entendeu mal. Eu disse que quem iria pagar-lhe era São Sebastião!
         — Ah, Dona Eni, se eu soubesse que era o santo, não teria  nunca  feito a capina! Aí não, uai! Capinar pra santo, era só o que me faltava!




fernanda araujo
Enviado por fernanda araujo em 07/07/2006
Reeditado em 28/08/2011
Código do texto: T189289
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
fernanda araujo
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil
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