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Diga a verdade

Diga a verdade, ao menos uma vez na vida você se apaixonou pelos erros de alguém. Sabe aquele negócio da alma gêmea não ter nada a ver com a gente necessariamente? Pois é, parece que é assim que acontece algumas vezes.
Depois de um tempo você fica sem entender porque se apaixonou por aquela menina toda “Patricinha”, cheia de frescura com roupas e outras futilidades, diferente de tudo aquilo que lhe agrada, mas ela, livres de rótulos, era a pessoa que te fazia sentir leve mesmo depois de um prato de feijoada com cerveja em abundância.
Ou no caso da garota toda comportadinha apaixonada pelo “bad boy”, garotão largado, nem aí pra moda ou para uma série de convenções sociais, rebelde sem causa, às vezes até chegado num “fuminho”. Enfim nada a ver com você, mas a tremedeira nas pernas e a boca seca se tornam inevitáveis na sua presença.
Nunca acreditei naquele dito popular que diz que os opostos se atraem. Acho que os semelhantes costumam se encontrar mais, pois têm os mesmos gostos e tendem a freqüentar os mesmos lugares. O fato de ter gostos e afinidades convergentes teoricamente é o fator de maior aproximação das pessoas. A regra só vale para pessoas normais. Tradicionais, convencionais. Não pode jamais ser aplicada aos sonhadores, aos poetas, aos escritores e suas musas idealizadas. Essas pessoas estão em uma espécie de limbo de sentimentos difusos que se encontram e se desencontram ao sabor do destino.
Basta uma vez, uma única festa diferente pra acontecer o inesperado. Nunca gostei de pagode, e ainda assim, em uma de minhas investidas a esse mundo estranho de danças coreografadas, já ocorreu de encontrar alguém que valesse a pena rever mais vezes, como aconteceu. Como no meu caso, a pessoa em questão estava acompanhando uma amiga, alheia à sua vontade de estar ali.
No meio da festa, pagodão rolando solto e a gente ali, numa redoma invisível de nossos gostos e afinidades, encontrando cada vez mais assuntos que nos agradavam mutuamente. Nem parecia que no meio daquele turbilhão de refrões, banais e forçadamente erotizados, estávamos conversando sobre uma música de Engenheiros do Hawaii – 3x4. Pra quem não conhece ela diz uma frase assim: diga a verdade ao menos uma vez na vida, você se apaixonou pelos meus erros...”, isso diz tudo, a gente fica criando divagações sobre a vida, fazendo conjecturas e fugindo de nossos próprios sonhos, transformando-os em medos e ameaças”.
Quem não consegue olhar para o futuro e correr atrás da felicidade são pessoas que pensam que o passado é um animal feroz adormecido, apenas esperando que seja aberta a janela do tempo para voltar e devorar corações medrosos sem piedade. Piedade a que os ausentes de coragem não têm direito e inexiste se não houver dentro de cada um pouco de esperança, amor, mais coragem e a capacidade de se apaixonar pelos erros do outro.
Amar alguém pelas suas qualidades é fácil, mas o verdadeiro amor é aquele onde o defeito do outro, não é supervalorizado e passa a ser um conjunto atitudes com as quais se consegue conviver quando se ama verdadeiramente.
Nem tudo que combina foi feito pra viver junto, quando o sol se põe, a lua nasce, assim é a vida.
Braulio Filho
Enviado por Braulio Filho em 08/07/2006
Reeditado em 08/07/2006
Código do texto: T189728
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Sobre o autor
Braulio Filho
Campina Grande - Paraíba - Brasil, 38 anos
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Braulio Filho