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A-D-E-U-S

Rosa Pena


Tive medo de morrer sem ter ido a Veneza, quando tive uma tremenda hemorragia em 1996, foi exatamente no ano em que a Berê nasceu, eu queria tanto ir para a Itália, mas tinha ido só até Trancoso nas férias , eu sempre fiz questão de viajar, fui pra onde a grana deu, e meu pavor da morte piorou quando o médico disse que eu estava fora de perigo , já não acreditava neles desde sempre, mas não morri, então ainda posso ir. Quem morreu foi a Berê. Será que ela queria ter ido? Me dá o Aturgyl. Minha vizinha que só me chama de Roseli e que grita diariamente contra sua pressão, garantindo que não vai emplacar o dia seguinte, deu bom dia hoje pra Roseli, que até eu já me convenci que sou eu, continua vivinha da silva . Quem morreu foi a Berê, que ela chamava de Terê. Me dá um lenço de papel. Minha tia-avó que não pode ser contrariada desde antes do meu nascimento, pois sofre do coração, o filho nem casou para não causar comoção, completa noventa e seis no sábado, numa big festa. Quem morreu foi a Berê, sem alarde. Mais um lenço e coloca o som bem alto. Não preciso de silêncio para ouvir o aviso da desdita. Ela finaliza o jogo sem apito.

Juro que esse ano vou, nem que seja a pé, pra Veneza.

À Berenice /  minha cadela da raça boxer

* 8 /8 / 1996 + 23 /05/2005
Rosa Pena
Enviado por Rosa Pena em 23/05/2005
Reeditado em 16/03/2014
Código do texto: T19163
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Pena
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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