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Monteiro Lobato, realidade, ficção ou racismo?

(...) José Bento Renato Monteiro Lobato, foi um dos mais influentes escritores brasileiros do século XX. Ele é popularmente conhecido pelo conjunto educativo, bem como divertido, de sua obra de livros infantis, o que seria aproximadamente metade de sua produção literária. A outra metade, que consiste em um número de romances e contos para adultos, foi menos popular, mas um divisor de águas na literatura brasileira (...) extraído de wikipedia.

Com sua cabeça voltada para a problemática da superação do brasileiro atrasado, sobretudo no ponto de vista econômico, político, social e cultural. Monteiro Lobato faz severas e levianas reflexões sobre a monocultura brasileira, presumia que o caboclo de mentalidade atrasada e traços caipiras eram predominantes do interior, e também presentes nas cidades grandes (fundamentalmente em São Paulo). Denominava este de uma velha praga, piolho da terra, ser parasita, alienado e inadaptável à civilização, mais precisamente, "funesto parasita da terra". Lobato foi tão implacável em suas denúncias que criou Urupês na figura de Jeca Tatu, o caipira ignorante e responsável pelos problemas do fazendeiro. Em Urupês Lobato relaciona os defeitos do Jeca, passividade, preguiça, falta de iniciativa econômica e política, e assim conclui, ele é incapaz de evolução cultural. Em outras palavras chamaria o povo brasileiro de fungo parasita. O que há de tão importante em sua obra, neste momento brasileiro as figuras racistas eram comuns, e Lobato só seria um autor respeitável se estivesse um passo a frente.
Sua campanha pela modernidade era mais que evidente em seus lamentos pela morte do engenheiro norte-americano Frederic Taylor, o grande vulgarizador do conjunto de técnicas conhecidas como taylorismo. Adiante, Lobato reconstrói seus argumentos, e depois de curado pelo médico (em seus pensamentos Higienistas), o seu parasita deixaria de ser preguiçoso, fraco e medroso. Más o pior ainda estaria por vir, lançaria entre outras obras, O choque das raças ou O presidente negro (livro realizado a partir da provável leitura de Gustave Le Bon Evolução da força e Evolução da matéria) foi publicado em 1926, em vinte partes, no jornal A Manhã.

Leia o comentário de Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa. (...) O caso mais tristemente célebre é o de O Presidente Negro ou o Choque das Raças (1926), de Monteiro Lobato, que leva o preconceito “cordial” de suas histórias infantis às últimas conseqüências. Um “porviroscópio” revela, em 2228, uma Europa conquistada e colonizada por chineses e um Brasil acorrentado ao atraso pela mestiçagem – exceto no Sul branco, que se funde à Argentina para formar a segunda nação mais progressista do planeta (...).
Prezados leitores, as aparências enganam, e nem sempre conhecemos o que há por trás de nossas leituras.
Este texto é parte de minhas inquietações literárias, e toda informação dever ser checada, lida e relida, mesmo assim haverá dúvidas...Toda obra deve gerar dúvidas...

Publicado em :
GARCIA, A. B. . Monteiro Lobato: realidade, ficção ou racismo?. In: Carlos Alberto Ferreira Danon, Lúcia Marsal Guimarães Silva. (Org.). Estudos Culturais. Curitiba: Aymará, 2008, v. , p. 46-47.

Leia também:
MONTEIRO LOBATO E O CORPO DO JECA

Visite:
www.alessandrogarcia.org
Alessandro Barreta Garcia
Enviado por Alessandro Barreta Garcia em 12/07/2006
Reeditado em 18/07/2011
Código do texto: T192690
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Sobre o autor
Alessandro Barreta Garcia
São Paulo - São Paulo - Brasil, 39 anos
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Alessandro Barreta Garcia