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No Amor e na Guerra

Conheci uma garota. Ela me parece interessante. Tomei coragem, e pedi seu telefone. Vou esperar alguns dias para ligar, caso contrário ela vai pensar que eu gamei.

 Se eu ligar bastante, sou pegajoso. Se eu ligar pouco, não estou interessado. Se ela transar comigo logo na primeira noite, é vadia. Se demorar, é freira (se for ao contrário, sou mulherengo.... ou gay).

Se eu enviar flores, sou brega. Se enviar cartas com poesias, sou antigo. Se ela não se oferecer para dividir a conta, perde pontos. Se eu abrir a porta, sou hipócrita. Se eu abrir a porta, e ela não destravar a porta do meu lado enquanto eu der a volta, quem é hipócrita é ela.

Vamos nos conhecendo aos poucos, para não cometermos equívocos. Já sofri muito, e tenho medo de me envolver. Se for muito ciumenta, não quero. Não gosto de gente possessiva. Se não tiver ciúmes, ela não gosta de mim. Ela via se fazer de difícil. Mulher fácil, os homens não gostam.

Se eu for muito bonzinho, não tem graça. Caso contrário, sou canalha. Se digo a verdade, sou grosso. Se não digo, sou mentiroso.

Tirei minha máscara.

Já faz um algum tempo que fiz isso. De uns tempos pra cá, passei a ser eu mesmo em meus encontros e relacionamentos. Até o momento não funcionou, já que não estou namorando. Mas pelo menos não estou enganando ninguém, vendendo o que eu não sou.

Gosto de ligar quando estou apaixonado. Não a todo instante, como um afixionado. Mas não todo dia, na hora marcada, como se estivesse batendo o cartão-de-ponto. Se fico sem ligar, é mais por vergonha ou um receio bobo, não por não ter consideração.

Sou romântico. Não necessariamente abro a porta. Depois que inventaram a trava automática, esse teste ficou inócuo. Eu envio flores, quando estou apaixonado. Com chocolates da Kopenhagen. Mas eu tenho que comer junto. Eu gosto de pagar a conta. Até insisto. Se a mulher não se oferecer, eu não ligo. A não ser que eu perceba em seus atos, intuito de levar vantagem, se aproveitar da gentileza alheia.

Se a mulher me pedir um beijo, talvez eu aceite. Não aceito de qualquer uma. Não faço mais nada por fazer, como já fiz muitas vezes. Não sou machista a ponto de achar que eu é que tenho que tomar a iniciativa sempre. Adoro mulheres com iniciativa, que sabem o que querem. Mulheres com atitude.

Pensando bem, vou deixar as coisas acontecerem. A princípio, critiquei as estratégias de guerra envolvidas em um relacionamento; depois, parece que eu criei as minhas próprias estratégias. Mexendo no tabuleiro, dando o braço a torcer, mas sempre com um pé atrás. Acho que os defeitos de uma pessoa são aceitos na mesma proporção do amor que sentimos por ela. Daqui para frente, não haverá mais regras, nem táticas, nem nada. Só coração. Com as trincheiras ainda abertas pelo passado, mas com a possibilidade de abertura para quantas forem necessárias, até que uma bomba atinja o meu coração, e cicatrize todas elas, explodindo tudo que havia antes, e se apoderando deste pequeno território pulsante, ávido por um amor que transcenda suas proporções.

Obs: ouvi a expressão “quando começo um relacionamento, parece que começo uma guerra” num filme chamado “Antes do Amanhecer”, com Ethan Hawke e Julie Delpy. Filme Recomendado. Houve uma continuação, chamada "Antes do Pôr do Sol", porém não assisiti. Ouvi dizer que não ficou boa. Ouvi dizer bobagens. A continuação ficou ótima. Acabei de assistir (17/07/06).

ilsanches@gmail.com
Ivan Sanches
Enviado por Ivan Sanches em 15/07/2006
Reeditado em 17/07/2006
Código do texto: T194342

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Sobre o autor
Ivan Sanches
Santo André - São Paulo - Brasil, 34 anos
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Ivan Sanches