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Acorda, Brasil!


É, Brasil, chegou a hora de acordar, de deixar os sonhos pra trás e correr em busca do futuro. É, Brasil, perdemos muito do que nos deu fama e nos fez acreditar que éramos bons, tão bons que ousamos pensar até que Deus era brasileiro.

Nossos carnavais já não são mais nossos; são da mídia, são dos estrangeiros. Nossos malandros já não percorrem a Lapa com ternos de linho e chapéu Panamá ou sentam em rodas de samba para cantar e curtir a vida; estão por todos os lugares, em cada canto do Brasil passando a mão no que não os pertence. E nossos heróis - ah!, tínhamos até heróis – não conhecem mais os campinhos de pelada do subúrbio e já nem se lembram mais do que é dormir ao relento ou desejar um bom prato de comida. Não lutam mais por nós, não partem para o ataque para defender as cores de nossa bandeira, quiçá encaram com bravura o percurso que pode nos trazer a luz e a vibração de apenas uma estrela, uma sonhada estrela. Não têm mais a fome nem a garra do brasileiro. Estão fazendo fama e fortuna em outros gramados bem mais verdes que os nossos. Não precisam mais mostrar sua arte, já são artistas famosos e consagrados.

Perdemos nossos carnavais, nossos malandros e heróis. Perdemos o que nos dava graça, o que nos fazia dançar pelas ruas da vida com o coração cheio de alegria, mesmo com o bolso vazio.

É, brasileiros, é chegada a hora de acordarmos, porque o mundo, a mídia, o poder e o consumo nos roubou toda a graça de ser o que éramos. Fomos surrupiados sem perceber, acreditando que tínhamos o passe e a posse definitiva dos pés, das mulatas, dos pandeiros.
E agora, que não temos mais o brilho que outrora nos fez exóticos ao mundo por alegres apesar de pobres, é hora de agir, de sair do ostracismo, de conquistar nosso espaço por mérito de nossa capacidade, de nossa força de trabalho. É hora de encarar a vida com seriedade, de estudar para conquistar mudanças, de parar de sonhar e abrir os olhos para ver o que nos resta pela frente. E são tantas complicações, tantas mazelas, tantos caminhos tortos que precisamos encarar para driblar a dura realidade desta nação grande, que aí vai um conselho: acorda, Brasil!, acordemos brasileiros!, se quisermos ser, de fato, uma grande nação. Uma nação com orgulho próprio e com a certeza de que o brilho existe não por termos carnavais, malandros e heróis, mas pelo esforço e pela raça de cada brasileiro acreditando em si, centrado em ser o melhor no que quer que faça, a fim de conquistar o seu tão sonhado troféu – o seu lugar ao sol deste lindo país.

Rosimere Ferreira
Em 01/07/2006
Rosimere Ferreira
Enviado por Rosimere Ferreira em 15/07/2006
Código do texto: T194767
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Sobre a autora
Rosimere Ferreira
Porciúncula - Rio de Janeiro - Brasil
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